"Reiteramos a nossa disponibilidade para continuar a palmilhar estratégias que potenciem o desenvolvimento do país, tendo como etapa determinante a paz efetiva", disse.

Nyusi falava na Praça dos Heróis, durante a cerimónia do Dia dos Heróis Moçambicanos, que se celebra recordando o primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Eduardo Mondlane, assassinado em 1969.

Para o Presidente da República, Eduardo Mondlane, tido como o ‘arquiteto’ nacional por ter juntado os movimentos que lutavam contra o regime colonial português, deve servir como exemplo no processo de reconciliação dos moçambicanos.

"Eduardo Mondlane acreditou que uma postura negociada com o regime colonial português poderia garantir um Moçambique independente. Mondlane sabia que a guerra sacrificaria e traria luto para os moçambicanos e também para o inocente povo português", afirmou.

Para valorizar os homens que, como o fundador da Frelimo, se sacrificaram na luta pela independência, o chefe de Estado moçambicano anunciou que todos os veteranos da luta vão ser galardoados com uma medalha de mérito.

"Ao longo deste ano, iremos proceder, de forma criteriosa e faseada, à condecoração de todos os combatentes da luta de libertação de Moçambique, no quadro do sistema de títulos honoríficos e condecorações", explicou.

O compromisso com a paz e a reconciliação é reforçado num momento em que o Governo moçambicano e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) continuam em negociações para acabar definitivamente com a crise político-militar.

Em dezembro, o Governo moçambicano nomeou interinamente três oficiais provenientes da Renamo para cargos de chefia no exército moçambicano, no âmbito do memorando de entendimento assinado em agosto entre as partes.

No entanto, para a Renamo, o Governo moçambicano não está a respeitar os acordos assinados, na medida em que o memorando não prevê nomeações interinas, além do facto de só terem sido nomeados três oficiais em vez dos 14 previstos no memorando.

Oficialmente, o atual processo negocial entre o Governo da Frelimo, partido no poder, e a Renamo, principal força de oposição, arrancou há pouco mais de um ano, quando Filipe Nyusi se deslocou à serra da Gorongosa, centro de Moçambique, para uma reunião com o então líder da Renamo, que morreu em 03 de maio do ano passado devido a complicações de saúde.

Além do desarmamento e da integração dos homens do braço armado do maior partido da oposição nas Forças Armadas e na polícia, a agenda negocial entre as duas partes envolvia a descentralização do poder, ponto que já foi ultrapassado com a revisão da Constituição, em julho.

Eduardo Mondlane, fundador e primeiro presidente da Frelimo, foi morto por um engenho explosivo colocado numa carta-pacote, na residência de amigos, em 03 de fevereiro de 1969, na Tanzânia, tendo sido substituído por Samora Machel na liderança do então movimento.

Nascido em Manjacaze, na província de Gaza, em 20 de junho de 1920, Mondlane estudou na missão presbiteriana suíça próxima do seu distrito, tendo posterirmente conseguido uma bolsa para continuar os estudos na vizinha África do Sul.

Teve uma curta passagem pela Universidade de Lisboa mais tarde, antes de viajar para os Estados Unidos, onde se doutorou em Sociologia.

Nos Estados Unidos da América, Mondlane trabalhou no Departamento de Curadoria das Nações Unidas, como investigador em temas sobre à independência dos países africanos, além de ter lecionado História e Sociologia na Universidade de Syracuse, em Nova Iorque.

Em 1962, já em Moçambique, decidiu fundar a Frelimo, resultado da união dos movimentos que lutavam pela independência: a União Democrática Nacional de Moçambique (Udenamo), a Mozambique African National Union (Manu) e a União Nacional Africana para Moçambique Independente (Unami).

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