O ar está pesado por causa do gás lacrimogéneo. Ouvem-se disparos. Manifestantes erguem barricadas com pneus em chamas e atiram pedras contra a polícia queniana. Foi isto que aconteceu durante a campanha eleitoral no Quénia, há dois anos. Um dos motivos que levou à escalada da violência em alguns sítios foi a divulgação de mensagens e vídeos falsos – feitos por profissionais – para instigar conflitos.

"Às vezes, pensas que o que te mandam pela Internet pode ser falso. Mas depois vês que houve muitas pessoas que reencaminharam essas coisas. E acabas por pensar que é verdadeiro", diz Eric Otieno, que vive em Nairobi.

Alphonce Shiundu e a sua equipa andam à procura de notícias falsas. Shiundu trabalha na "Africa Check", uma organização sem fins lucrativos em Nairobi.

"A informação é o lubrificante que faz avançar as democracias. Informações corretas podem impulsionar as democracias e garantem que as eleitoras e os eleitores tomam decisões políticas baseadas em factos", afirmou.

A organização "Africa Check" foi fundada em 2012 e tem 30 funcionários espalhados pelos escritórios no Quénia, Nigéria, Senegal e África do Sul. O grande objetivo é informar melhor as pessoas.

"A maioria dos africanos navega na Internet sem saber das armadilhas no espaço digital. E, nas redes sociais, obtêm muitas informações falsas que por lá são distribuídas", acrescentou Alphonce Shiundu.

Desinformação

Mas não é só nas redes sociais que a equipa de Shiundu tem descoberto informações falsas. Jornais de renome ou organizações internacionais também já divulgaram informações erradas.

A imprensa ocidental noticiou, por exemplo, que Nairobi contribuía para 60% do Produto Interno Bruto (PIB) do Quénia, mas, na verdade, contribui com 20%, como corrigiu o próprio Banco Mundial.

A organização "Africa Check" descobriu também que o Presidente queniano, Uhuru Kenyatta, espalhou uma informação falsa, ao dizer uma vez que, desde a independência, tinha havido entre 200 mil e 500 mil créditos hipotecários no Quénia.

"Descobrimos os números corretos no banco central queniano: foram menos de 27 mil. E dissemos: 'sr. Presidente, o número correto é o do banco central'. E, quando o Presidente Kenyatta voltou a falar de créditos hipotecários, referiu-se à estatística do banco central. Para nós, foi uma vitória", conclui Alphonce Shiundu.

por:content_author: Bettina Rühl, gcs

 

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