"A capacidade de Moçambique recuperar rapidamente depois da tempestade e garantir a resiliência a eventos futuros deste género está em dúvida", escreveu o diretor da consultora EXX Africa, Robert Besseling, num relatório sobre Moçambique.

No documento, enviado aos clientes e a qua a Lusa teve acesso, o analista escreve que "apesar de as indicações preliminares darem conta de que Moçambique pode estar a corrigir o curso nos próximos cinco anos, a sua precária situação financeira e a perda do estatuto por parte dos doadores internacionais esbateram a confiança na capacidade do Governo".

Lembrando que "ainda há partes de Moçambique que continuam, ainda hoje, a ser afetadas pelo ciclone Eline, de 2000, e os esforços de recuperação na altura dependeram fortemente da ajuda internacional", a EXX Africa escreve que "é imperativo que o Governo assegure esse apoio através de doações e não de empréstimos, ao mesmo tempo que tem de implementar as mudanças institucionais para aumentar a confiança externa".

No entanto, alerta, "sem esse apoio, as várias ameaças e preocupações sociais, económicas e políticas que surgiram nas primeiras duas ou três semanas a seguir à tempestade vão ser projetadas bem para além dos próximos trimestres".

Como a agricultura representa mais de 20% do PIB e emprega quase 80% da força de trabalho, "o Idai vai ter um impacto imediato na vida da maioria dos trabalhadores moçambicanos", escreve a consultora, acrescentando que "além dos custos de reconstrução, várias importações de alimentos, particularmente milho, devem duplicar durante este ano devido à descida da produção interna".

As consequências do Idai, conclui a EXX Africa, poderão não ser apenas humanitárias e económicas, ameaçam alargar-se ao campo político: "A capacidade do atual Governo de lidar com o rescaldo do Idai pode muito bem ter consequências nas urnas, também", escrevem os analistas, lembrando a "crise de legitimidade da Frelimo no poder devido à elevada dívida pública, corrupção, má gestão e crescente insegurança no norte".

O ciclone Idai, que devastou parte da costa do sudoeste africano a 14 e 15 de março, deixou mais de 900 mortos em Moçambique, no Zimbabué e no Maláui.

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