"No caso concreto do Porto da Beira, é expressamente proibida a descarga a granel e o seu acondicionamento em armazéns do operador portuário", lê-se numa nota de esclarecimento da Cornelder distribuída hoje à comunicação social.

Neste documento, a empresa reitera que não teve conhecimento que o navio que transportava 2.750 toneladas de nitrato de amónio, carga que poderá ter provocado as explosões no porto de Beirute, na terça-feira, tinha como destino Moçambique.

Uma fonte da Agência de Navegação do Ministério da Economia da Geórgia confirmou na quarta-feira à EFE que o navio que transportava nitrato de amónio tinha como destino Moçambique, mas terá atracado no porto de Beirute devido a problemas mecânicos, tendo a carga sido confiscada e armazenada por vários anos na capital libanesa.

"Esta carga mantida em Beirute deixou o porto de Batumi para Moçambique [Porto da Beira] a bordo do cargueiro 'Rhosus', com a bandeira da Moldávia", declarou um representante da Agência de Navegação do Ministério da Economia da Geórgia, acrescentando que "o transporte de carga, seu processamento e armazenamento são prerrogativas do país recetor e não do país exportador".

Na quarta-feira, a Lusa contactou também o Ministério dos Transportes e Comunicações moçambicano, que disse igualmente não ter sido informado sobre a operação de um navio com estas características naquele ano.

No comunicado de hoje, a empresa gestora do porto da Beira reitera que não foi notificada sobre a operação, acrescentando que a condição para que um navio atraque naquele porto é um anúncio com antecedência de 7 a 15 dias e avançando que a entrada do produto no país carece de autorização das autoridades.

"Nos casos de navios de nitrato de amónio que escalam o Porto da Beira, o operador portuário observa todas as medidas de segurança exigíveis no manuseamento de uma carga considerada perigosa, inclusive a presença do Corpo de Bombeiros, restrição de veículos e pessoas alheias à operação. É igualmente proibida a presença de materiais inflamáveis no perímetro do cais, onde decorre a operação", acrescenta-se na nota da Cornelder, concessionária do Porto da Beira desde 1998.

Duas fortes explosões sucessivas sacudiram Beirute na terça-feira, causando, pelo menos, 137 mortos e mais de cinco feridos, segundo o último balanço feito pelas autoridades libanesas.

Até 300 mil pessoas terão ficado sem casa devido às explosões, segundo o governador da capital do Líbano, Marwan Abboud.

As violentas explosões deverão ter tido origem em materiais explosivos confiscados e armazenados há vários anos no porto da capital libanesa.

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