A Ordem do Advogados de Moçambique chamou a imprensa esta terça-feira para condenar e pedir a responsabilização dos autores da violência contra uma mulher indefesa, abatida por homens armados com uniforme militar, em Cabo Delgado, norte do país.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram homens armados a espancar e a executar com mais de dez tiros uma mulher sem roupa e desarmada. Pouco tempo depois, começou a circular uma mensagem dos homens a acusar a mulher de práticas de bruxaria para ajudar os insurgentes que operam na região.

"Não temos aqui pretensão de acusar quem quer que seja, porque não temos elementos para o fazer, mas estamos preocupados porque efetivamente isto cria uma imagem negativa para o nosso país, ainda que possam ser fake news", afirmou em conferência de imprensa o bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique, Duarte Casimiro, apelando a uma investigação.

"Alguém que investigue e traga à sociedade o que efetivamente está a acontecer", sublinhou.

O bastonário da Ordem dos Advogados reiterou que a justiça deve ser feita até em defesa das próprias Forças de Defesa e Segurança. "Há duas semanas circulou uma outra mensagem que dava a entender que havia envolvimento das nossas Forças de Defesa e Segurança em circunstâncias menos visíveis", lembrou. "Quer num caso quer noutro, não temos plenas certezas. O que nós pretendemos é que quem de direito crie condições para investigar para de facto saber o que aconteceu".

Governo reitera compromisso com direitos humanos

O Ministério da Defesa já reagiu ao caso e considera as imagens "chocantes e, acima de tudo, condenáveis em todas as dimensões".

Em comunicado, o Ministério da Defesa reafirma o seu comprometimento em proteger e salvaguardar os direitos humanos em estrita observância das leis nacionais relevantes e ao direito internacional humanitário.

O presidente da Comissão Nacional dos Direito Humanos, Luís Bitone, lembrou que os vários vídeos que têm circulado nas redes sociais sobre a violência de homens armados trajados com uniforme militar devem ser investigados.

"Como Comissão Nacional dos Direitos Humanos, a nossa preocupação com Cabo Delgado é do conhecimento do público. Portanto, estamos a falar das zonas de conflito onde temos duas posições das forças governamentais e insurgentes que já mostraram atrocidades, matam pessoas. É difícil saber o que se passa lá dentro", sublinhou.

Autor: Romeu da Silva (Maputo)

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