O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, manifestou esta segunda-feira (10.02), em Adis Abeba, capital da Etiópia, a intenção de melhorar a relação com o continente africano, tendo referido que a Europa quer olhar para África com "novos olhos", passando da abordagem da ajuda para a do investimento.

"É muito importante estar mais envolvido, enquanto União Europeia, no apoio ao setor privado e fazer a transição de uma abordagem de ajuda para uma abordagem de investimento, tendo em consideração, por exemplo, a importância de construir infraestruturas robustas no continente", adiantou.

Riscos da insegurança no Sahel para a UE

E o presidente do Conselho Europeu defendeu também a importância da manutenção de uma presença europeia na região africana do Sahel, considerando que o conflito representa um risco potencial de segurança para a Europa.

"A presença francesa e europeia deve manter-se forte e constatamos que os países da região pedem e querem esse apoio", disse Charles Michel.

Sobre a possibilidade de um reforço de tropas europeias para se juntarem às tropas francesas no Mali, o presidente do Conselho Europeu adiantou que países europeus, como a Estónia, já anunciaram meios suplementares para a região.

De acordo com Michel, "o objetivo que temos é preparar bem a reunião de março para um debate estratégico europeu, que estabeleça quais as capacidades que os estados europeus estão prontos a mobilizar quer seja em termos de desenvolvimento, humanitários ou militares a fim se securizar as zonas atualmente sobre forte pressão".

Cimeira União Europeia - África

Charles Michel está em Adis Abeba para encontros com os chefes de Estado e de Governo africanos, no contexto da preparação da cimeira União Europeia - África, marcada para outubro, em Bruxelas.

Espera-se que Bruxelas organize vários encontros bilaterais entre chefes de Estado e de Governo de países africanos e União Europeia (UE) para desenhar melhor a sua estratégia de desenvolvimento e investimento em África.

"É importante ter abertura para perceber como é que é possível fazer mais na nossa parceria e considerar os nossos parceiros africanos como iguais", disse Michel.

Questionado pelos jornalistas sobre se esta nova relação não deveria começar com um pedido de desculpas a África pelo passado colonial europeu, Charles Michel considerou que o mais importante é perceber como construir esta relação no futuro.

"Cada vez mais as novas gerações na Europa nasceram depois da independência dos países africanos e cada vez mais é possível ter maior ambição para esta parceria com África sem nostalgia", disse.

Uma nova narrativa?

O continente africano está aberto a desenhar uma nova narrativa na relação com parceiros de desenvolvimento, incluindo a Europa, a atender pelo discurso de abertura da Cimeira da União Africana, do recém-eleito presidente da União Africana, o Presidente Cyril Ramaphosa, da República da África do Sul, que descreveu dentre as várias prioridades no âmbito da Agenda 2063. Ramaphosa fala em "defender a posição de África como um parceiro forte e influente na arena global".

A 33ª Sessão Ordinária da Assembléia de Chefes de Estado e de Governo da União Africana juntou 55 delegados, de 9 a 10 de fevereiro, na capital da Etiópia­­­­­­­­, sob o lema: "Silenciando as armas: criando condições favoráveis ​​para o desenvolvimento de África."

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