"A primeira preferência da Frelimo é ter Manuel Chang em Moçambique, onde estaria numa posição melhor para lidar com as consequências do escândalo das dívidas ocultas", disse Darias Jonker à Lusa.

"No entanto, a Frelimo também ficaria contente se Chang ficasse na África do Sul, assim evitando que implicasse outros líderes do partido em declarações nos EUA antes de umas eleições que deverão fortemente renhidas", acrescentou o analista.

O ministro da Justiça sul-africano anunciou na terça-feira que, face aos pedidos de extradição dos EUA e Moçambique, optou pelo país de origem de Chang.

De qualquer das maneiras, concluiu, "a extradição de Chang para os EUA antes das eleições moçambicanas no último trimestre é agora muito improvável, o que permite à Frelimo limitar os danos políticos à volta deste escândalo".

Para o diretor da Eurasia, que mantém a Perspetiva Negativa para a evolução a curto e a longo prazo para a economia de Moçambique, a Justiça norte-americana deverá recorrer da decisão da África do Sul, num processo que deverá demorar meses e prolongar-se até depois das eleições presidenciais, marcadas para outubro deste ano.

O ex-ministro das Finanças moçambicano Manuel Chang, três ex-banqueiros do Credit Suisse e um mediador da Privinvest foram detidos em dezembro a pedido da justiça norte-americana.

A investigação alega que a operação de financiamento de 2,2 mil milhões de dólares (dois mil milhões de euros) para criar as empresas públicas moçambicanas Ematum, Proindicus e MAM durante o mandato do Presidente Armando Guebuza é um vasto caso de corrupção e branqueamento de capitais.

Em fevereiro, só depois da ação dos EUA, foram detidas várias figuras públicas pela justiça moçambicana - entre as quais pessoas próximas do ex-chefe de Estado Guebuza - que tinha o caso aberto desde 2015, mas sem nenhuma detenção.

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