"Estamos em discussões com o governo Sul-Africano e a explorar opções para solicitar uma revisão desta decisão", disse, em declarações à Lusa, Robert Mearkle, porta-voz da Embaixada dos Estados Unidos em Pretória.

Robert Mearkle disse ainda que a declaração emitida terça-feira pelo ministro da Justiça e Serviços Correcionais da África do Sul, Michael Masutha, autorizando a extradição de Manuel Chang para Moçambique, foi uma "desilusão", apesar de o pedido de extradição norte-americano ter sido o primeiro a dar entrada na justiça sul-africana.

"O ministro [Michael Masutha] decidiu extraditar o ex-ministro moçambicano da Finanças Manuel Chang para Moçambique apesar de ter recebido o nosso pedido formal de extradição primeiro do que o da República de Moçambique", salientou.

"Instamos o Governo da África do Sul a enviar o Sr. Chang para os Estados Unidos para ser julgado por estes alegados crimes, que vitimou cidadãos norte-americanos e roubou o Governo de Moçambique em mais de 700 milhões de dólares", afirmou à Lusa Robert Mearkle.

Manuel Chang, 63 anos, antigo governante moçambicano e actual deputado Frelimo, encontra-se detido desde Dezembro na África do Sul, a pedido dos EUA, por fraude e lavagem de dinheiro.

Em causa estão os empréstimos no valor de 2,2 mil milhões de dólares para criar as empresas públicas moçambicanas Ematum, Proindicus e MAM pelas subsidiárias londrinas dos bancos Credit Suisse e do russo VTB.

Os indícios de suborno, lavagem de dinheiro e fraude levaram a justiça norte-americana a processar vários intervenientes, nomeadamente o mediador da Privinvest Jean Boustani, os antigos banqueiros do Credit Suisse Detelina Subeva, Andrew Pearse e Surjan Singh e o antigo ministro das Finanças Manuel Chang.

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