"A insurgência no norte de Moçambique é muito preocupante. Cresceu de um pequeno grupo para um movimento muito maior ao longo do último ano ou ano e meio. Esperamos que Moçambique lhe dê atenção total e de uma forma sistemática", disse Tibor Nagy.

O secretário de Estado Adjunto norte-americano para África falava hoje, a partir de Whashington, durante um 'briefing' telefónico com jornalistas para abordar o apoio dos Estados Unidos à luta contra a pandemia de COVID-19 em no continente africano.

Tibor Nagy comparou os ataques violentos de grupos armados na província de Cabo Delgado, com a ascensão do grupo extremista Boko Haram, na Nigéria, e enfatizou a necessidade de travar a escalada de violência.

"O Boko Haram era apenas um pequeno movimento e, por causa da forma como o Governo da Nigéria inicialmente lhe respondeu, cresceu e tornou-se numa ameaça muito séria não apenas para o nordeste da Nigéria, mas também para os países vizinhos", disse.

"A nossa embaixada com alguns parceiros estão totalmente empenhados em discutir com as autoridades moçambicanas a melhor forma de responder a esta insurgência e impedir que se torne no que o Boko Haram se tornou na Nigéria", acrescentou.

O norte é palco de ataques de grupos armados, classificados como uma ameaça terrorista e que já mataram, pelo menos, 500 pessoas.

As autoridades contabilizam 162 mil afetados pela violência armada naquela província.

No final de março, as vilas de Mocímboa da Praia e Quissanga foram invadidas por um grupo, que destruiu várias infraestruturas e içou a sua bandeira num quartel das FDS.

Na ocasião, num vídeo distribuído na Internet, um alegado militante 'jihadista' justificou os ataques de grupos armados no norte de Moçambique com o objetivo de impor uma lei islâmica na região.

Foi a primeira mensagem divulgada por autores dos ataques que ocorrem há dois anos e meio na província de Cabo Delgado, gravada numa das povoações que invadiram.

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