“É o processo judicial mais importante que já tivemos desde a democracia”, declarou a 1 de fevereiro, Carlos Lesmes, antigo Presidente do Tribunal Supremo da Espanha.

São 12 líderes do mundo da política e da vida associativa, a serem julgados por incitação à revolta por ocasião do referendo sobre a independência da Catalunha, em outubro de 2017.

Entre os acusados, há 9 que estão presos, nomeadamente Raul Romeva, ex-ministro dos Negócios estrangeiros do governo regional da Catalunha e deputado europeu. Para ele segundo a jurisprudência europeia só poder absolvido.

Aliás, numa nota de imprensa à agência de notícias Reuters, ele escreve que “uma pena de prisão mancharia para sempre a história da Espanha”.

Outras figuras entre os acusados são Oriol Junqueras, que em 2017 era vice-presidente do mesmo governo da Catalunha e Carma Forcadell, antiga presidente do Parlamento regional.

O antigo Presidente da Catalunha, líder desse movimento chamado de revolta conta o Estado espanhol, Carles Puigdemont, exilou-se na Bélgica, e não pode, portanto, ser julgado, em Espanha.

Para Federico Santi, analista no gabinete de consultoria, Eurásia, o julgamento de Madrid, corre o risco que voltar a alimentar as tensões na rica proíncia da Catalinha, no nordeste da Espanha.

O ministério público espanhol, vai pedir penas até aos 25 de prisão para alguns desses líderes políticos e associativos. Entre centenas de testemunhas de acusação está Manuel Rajoy, ex-primeiro ministro da Espanha na altura da chamada secessão da Catalunha e até junho de 2018.

Enfim, baixou a intensidade das manifestações pró-independência catalã  mas os partidos secessionistas prevêem sair às ruas durante o julgamento que vai durar 3 meses.

Especialistas da Catalunha perspectivam mesmo novos conflitos entre os defensores da independência catalã e os que querem a província no seio duma Espanha, una e indivisível.

“A questão catalã, alimenta um confronto sobre o nacionalismo e sobre a identidade, não apenas na Catalunha, mas também em toda a Espanha”, comenta, por exemplo, Lluis Orriols, professor em ciências políticas, na Universidade Carlos III de Madrid.