Segundo Pompeo, o substituto de Hook é Elliot Abrahms, que se mantém também como emissário para a Venezuela.

Mike Pompeo elogiou Hook na despedida, considerando que alcançou em dois anos no cargo “resultados históricos”.

A demissão de Hook acontece numa altura em que os Estados Unidos estão a fazer grandes esforços diplomáticos para estenderem indefinidamente o embargo ao armamento ao Irão, intenção que tem encontrado forte oposição internacional, sobretudo da China e da Rússia.

O anúncio da demissão surge um dia depois de Pompeo ter afirmado que os Estados Unidos vão pedir, para a próxima semana, a votação de uma resolução no Conselho de Segurança da ONU para estender indefinidamente o embargo, que expira a 18 de outubro.

À partida, a resolução será vetada, abrindo caminho para maiores divergências entre os Estados Unidos e os outros membros do Conselho de Segurança da ONU — China, França, Reino Unido e Rússia — sobre a reposição de sanções internacionais ao Irão.

Já na quinta-feira, numa conferência de imprensa telefónica, a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Kelly Craft, reafirmou a necessidade de se prorrogar o embargo internacional de armas ao Irão e advertiu que, se a resolução não for aprovada, assistir-se-á a uma “corrida ao armamento” no Médio Oriente.

No entanto, a resolução tem, contra si, a importante oposição e um mais que provável veto por parte da China e da Rússia.

Sobre um eventual veto chinês e russo, Kelly Craft defendeu que Pequim e Moscovo têm de decidir se querem apoiar o “maior Estado patrocinador do terrorismo” ou proteger a paz e a segurança na região.

“Não há nenhum argumento convincente de paz e de segurança” para dizer que o Irão deveria ter acesso a mais armamento, sublinhou a diplomata norte-americana.

Hook, um republicano de longa data ligado desde sempre à política externa, foi diretor do Departamento de Planeamento de Política Externa do então primeiro secretário de Estado norte-americano (Rex Tillerson) da era Trump.

Após a exoneração de Tillerson, Pompeo nomeou Hook para a questão iraniana.

Como diretor do Departamento de Planeamento de Política Externa, Hook tentou reforçar o acordo nuclear com o Irão, denunciado por Trump durante a campanha eleitoral de 2016, que o considerou como o “pior acordo de sempre” e garantiu que iria retirar os Estados Unidos do processo.

Assim que Tillerson foi despedido e Pompeo obteve um mandato presidencial para retirar os Estados Unidos do acordo, o objetivo de Hook focou-se na reposição das sanções norte-americanas ao Irão.

Sob o acordo orquestrado maioritariamente pela administração de Barack Obama, o Irão recebeu mais de mil milhões de dólares como forma de compensar as sanções em troca de restrições no seu programa nuclear, que os Estados Unidos alegam ser uma cobertura para o desenvolvimento de armas atómicas.

Assim que foi nomeado como enviado especial de Trump para o Irão, Hook foi mandatado para identificar as sanções a serem restauradas e tentou convencer os países europeus e outros a seguirem o exemplo.

Paralelamente, Hook teve algum sucesso na troca de prisioneiros com o Irão, garantindo a libertação de dois cidadãos norte-americanos em troca de iranianos detidos nos Estados Unidos.

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