A campanha eleitoral, rumo às eleições presidenciais, legislativas e primeiras para a eleição do governador provincial, está ao rubro na província de Nampula, no norte de Moçambique. Muitas e muitas promessas são feitas desde o início pelos quatro cabeças de listas dos partidos concorrentes, como forma de conquistar votos por parte do eleitorado.

O cabeça de lista do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Mussa Abudo, diz que caso seja eleito governador de Nampula vai aproveitar os recursos minerais e naturais que a província dispõe para melhorar a vida das populações.

"A nossa província tem muitos recursos, mas mesmo assim nós sofremos. Por exemplo, no caso da madeira; em Nampula há muita madeira, mas a província sofre de falta de carteiras nas escolas. Nós não podemos viver com esse tipo de ambiente", considera o candidato.

Luís Mecupia é o cabeça de lista da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o principal partido da oposição em Moçambique. Mecupia diz que a sua aposta está mais voltada para a área social, concretamente para a saúde, a educação e ao abastecimento de água.

Agricultura e geração de empregos

"Há um setor muito importante que pode trazer muito emprego: a agricultura", acrescenta o candidato da RENAMO, dizendo que a área "não poder ser encarada sob o ponto de vista apenas de produção agrícola, mas temos de associar a produção e o fator mecanização como também o agro-processamento", referiu.

Para o cabeça de lista do partido Ação do Movimento Unido para a Salvação Integral (AMUSI), Orlando Valentim, o seu Governo, caso vença as eleições, vai apostar mais no apoio dos camponeses, nomeadamente nas técnicas de produção, como na comercialização e no combate à corrupção.

"Os agricultores quando produzem, os compradores esquecem que eles têm apenas um salário por ano [colheita]. Os compradores compram pouco, ditam preços e no final o camponês continua com fome. Vamos trabalhar para acabar com a corrupção na província de Nampula. Vamos apoiar as pessoas com deficiências assim como acabaremos com a desnutrição crónica", prometeu.

"Desenvolvimento contínuo"

A FRELIMO, através da chefe da brigada central de assistência à província de Nampula, Margarida Talapa, que tem vindo a pedir votos lado a lado com o seu cabeça de lista a governador, Manuel Rodrigues, assegurou que os candidatos às eleições presidenciais e provinciais, ao vencerem o escrutínio, vão contribuir para o desenvolvimento contínuo do país e da província em particular.

"A vitória da FRELIMO e do seu candidato é um imperativo nacional e condição para que Moçambique continue a consolidar-se como uma nação forte. E Nampula continue a crescer", declarou Talapa.

Cidadãos procuram novidade

Entretanto, os cidadãos consideram que não há novidades nas promessas dos partidos, quando comparadas com as dos outros anos eleitorais, e pelo facto querem mais ações de melhoraria das condições de vida da população.

"Naquilo que eu constatei nos manifestos dos partidos políticos, eles não trazem alguma novidade, só estão, como é de costume, a pedir voto e apenas votos e nalgum momento as promessas continuam a ser aquelas falaciosas", disse à DW África José Simão, residente em Nampula.

Também Laura Julião, de Nampula, espera mais mudanças. "Espero mais emprego nas promessas que eles estão fazer, e que realmente façam isso que eles estão a prometer".

Outro residente, Renaldo Agostino, acredita que "é difícil criar emprego", mas espera que o partido vencedor "crie oportunidade de negócios para os jovens e financiamento de projetos juvenis". "Também água e energia", disse.

RENAMO apontada como favorita

Por seu turno, o analista Arlindo Muririua antevê a RENAMO como o partido que poderá escolher o próximo governador da província, porque segundo ele "o que está a fazer a RENAMO nos municípios de Nacala-Porto, Angoche, Ilha de Moçambique, Malema e Nampula tem muito a ver com o desenvolvimento da região e não é só discurso".

De acordo com Muririua, "as pessoas que estão em Namapa dizem que o município de Nacala [gerido pela RENAMO] está bem organizado em termos de prestação de contas e outros. E isso é maior que discurso. Isso pode influenciar", assegura o analista, acrescentando que "não é a sondagem que estamos a fazer, mas a perceção do povo sobre o trabalho desse partido".

Porém, o analista não descarta a ideia de que o partido FRELIMO poderá mudar o seu discurso de promessas e afirma que o Presidente Filipe Nyusi já está a fazê-lo ao combater os corruptos.

por:content_author: Sitoi Lutxeque (Nampula)

 

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