Sem polícia para o escoltar, numa província com focos de violência armada, o líder da Ação do Movimento Unido para a Salvação Integral (AMUSI) optou por cancelar, na passada sexta-feira (04.10) o seu périplo pela província moçambicana de Cabo Delgado.

Em entrevista à DW África, Mário Albino Muquissinse conta que a equipa policial que escoltava a caravana do seu partido no distrito de Erate, na província de Nampula, deveria tê-lo acompanhado na passada sexta-feira (04.10) até ao distrito vizinho de Chiure, ponto de entrada na província de Cabo Delgado. Mas acabou por interromper a viagem, alegando uma avaria na viatura. Por isso, a caravana do candidato do AMUSI teve de ir sem proteção policial até Chiure.

"Interagimos com o Comando distrital de Erate que era para nos acompanhar ao distrito de Chiure para começar com Cabo Delgado... só que surpreendentemente disseram que não tinham transporte e não garantiam acompanhar [a nossa caravana] e que se pudéssemos continuar com a viagem teríamos escolta do distrito de Chiure. Fomos sem escolta até Chiure e quando ligamos para eles disseram que não estavam disponíveis porque não tinham viatura."

"Candidato sem paciência"

A polícia em Nampula confirma a avaria do carro de escolta, mas diz que pouco depois disponibilizou outro veículo para prosseguir viagem. Zacarias Nacute é o porta-voz do Comando Provincial da Polícia de Nampula e afirma que "o que aconteceu é que logo de imediato foi requisitada uma outra viatura para fazer cobertura da escolta porque a viatura que estava a fazer escolta no momento não teve condição de continuar a viagem. Provavelmente o candidato não teve paciência de esperar e acabou por adiantar antes da viatura chegar."

Segundo Mário Albino Muquissinse, este não é o primeiro incidente do seu partido relacionado com falta de proteção policial. O candidato lembra que também no distrito de Malema, em Nampula, a polícia local terá alegado uma avaria na viatura para não escoltar a caravana do Movimento Unido de Salvação Integral. Para o candidato, estes incidentes representam uma ameaça à democracia.

"É uma questão de não separação de poderes. Não é por incompetência da própria PRM, há uma mão política que cria esses obstáculos todos, mas nós estamos a avançar. Portanto, a interpretação é que, de facto, a democracia em Moçambique está ameaçada."

RENAMO dá nota positiva

Ao contrário do AMUSI, a RENAMO, o maior partido da oposição em Moçambique, dá nota positiva à atuação da polícia durante a campanha eleitoral. Alberto Kavandame é o porta-voz do partido em Cabo Delgado e diz que "neste preciso momento a polícia está a assumir a sua parte e é isto que nós como a RENAMO queremos: que seja Polícia da República de Moçambique e ela esta assumir a sua parte que é de louvar."

A falta de divulgação da campanha do AMUSI pelos meios de comunicação social é outro problema que Mário Albino lamenta.

"A candidatura [para a presidência] da República quem defende não é apenas o candidato. Em todas as províncias estamos a fazer campanha apesar de termos um outro problema: os órgãos de comunicação social sobretudo as televisões não divulgam as nossas mensagens."

Uma crítica partilhada pela RENAMO. "Na cobertura dos eventos é normal a Televisão de Moçambique dizer que a RENAMO não saiu a rua, a RENAMO não forneceu a sua agenda de campanha. A verdade é que isto muitas das vezes não constitui verdade."

A FRELIMO também tem feito campanha em Cabo Delgado. Desde segunda-feira (30.09.), está na província o secretário-geral do partido no poder, Roque Silva.

por:content_author: Delfim Anacleto Uatanle (Pemba)

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