Um passageiro morreu "crivado" de balas quando o veículo foi "metralhado", por um grupo armado, durante a emboscada, pelas 11:00.

A viatura foi depois incendiada numa estrada de argila, cerca de 60 quilómetros a nordeste de Chimoio, capital de Manica.

Uma mulher morreu atingida por balas quando foi surpreendida na sua quinta.

"Os tiros saíam dum cemitério, o primeiro atingiu o pneu de frente do carro e o segundo atingiu o meu pé direito, o que fez o carro despistar" contou à Lusa Chiringa Taimo, condutor, enquanto recebia tratamento no banco de socorro do Hospital Provincial de Chimoio.

Na viatura seguiam quatro passageiros, "um deles levou tiros” no carro “e perdeu a vida", avançou ainda o condutor, adiantando que escapou após se conseguir arrastar de joelhos, durante meio quilometro, para a mata.

"Eram quatro homens, que depois me seguiram [para o esconderijo], e eu pedi para não me matarem e levaram todos os meus documentos", acrescentou.

Albano Nhampenza, um morador que a Lusa encontrou enquanto tentava retirar a família da zona do ataque, disse que após a emboscada à viatura, vários tiros foram disparados contra uma área habitada.

"Primeiro ouvimos tiroteios, mas continuámos a cultivar e depois mais tiros foram ouvidos, logo pensamos que é guerra" contou o camponês, adiantando que foram os tiros para as machambas (pequenas hortas) “que mataram a mulher".

Uma fonte médica do Hospital Provincial de Chimoio confirmou a entrada dos feridos vitimas do ataque ao veículo.

Contactado pela Lusa, o porta-voz do comando da Polícia de Manica prometeu pronunciar-se na quinta-feira.

Com este ataque, sobe para dez o número de mortos desde agosto devido a incursões armadas, primeiro contra veículos, mas que, entretanto, se tem intensificado contra alvos civis e das forças de defesa e segurança - aumentando também o raio de atuação.

A zona Centro do país foi historicamente palco de confrontação armada entre forças governamentais e a Renamo até Dezembro de 2016, altura em que as armas se calaram, tendo a paz sido selada num acordo subscrito em 06 de agosto.

Permanecem na zona guerrilheiros, em número incerto, que formaram uma autoproclamada Junta Militar para contestar a liderança da Renamo por Ossufo Momade e defender a renegociação do seu desarmamento e reintegração na sociedade.

O grupo de guerrilheiros liderado por Mariano Nhongo já ameaçou por mais que uma vez recorrer às armas caso não seja ouvido - mas, por sua vez, também se diz perseguido por outros elementos desconhecidos.

A polícia tem acusado a Renamo de ser responsável pelos ataques devido à farda verde de alguns agressores, sem distinguir grupos dissidentes dos que permanecem fieis ao partido.

A direcção da Renamo considera a posição da polícia caluniosa e diz estar a respeitar o processo de desarmamento.

O mesmo tipo de violência naquela região aconteceu em 2015, em período pós-eleitoral, quando Afonso Dhlakama (antigo líder da Renamo) rejeitou a vitória da Frelimo, mas negando o envolvimento nos confrontos.

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