A Renamo segue os passos do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceiro partido parlamentar, que na quinta-feira também pediu a demissão do chefe de Estado.

"Exigimos que se demita imediatamente do cargo de Presidente da República", disse José Manteigas, porta-voz da Renamo, hoje, em conferência de imprensa, na sede nacional do partido, em Maputo.

Jean Boustani, principal arguido no caso das dívidas ocultas do Estado moçambicano, em julgamento nos Estados Unidos, afirmou na quarta-feira que a empresa Privinvest pagou cinco milhões de dólares para a campanha presidencial de Filipe Nyusi de 2014 (um milhão para a campanha própria e quatro milhões para a Frelimo), a pedido do antigo Presidente Armando Guebuza.

A Renamo exigiu hoje que o Presidente e líder da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, se demita para que o país tenha "bom nome além-fronteiras", sob pena de "demonstrar que pretende manter-se no poder para delapidar os impostos dos moçambicanos" e "proteger os correligionários envolvidos" nas dívidas ocultas.

O porta-voz disse que o envolvimento do chefe de Estado "põe em causa a reputação, idoneidade, confiança e legitimidade para continuar a conduzir os destinos do país".

Segundo a Renamo, Nyusi não tem "condições morais para propalar discursos de combate à corrupção" ou de respeito pela legalidade.

José Manteigas considerou as dívidas ocultas um dos motivos para Moçambique ter carências de escolas, hospitais, medicamentos ou infraestruturas.

Classificou-as como "um pesadelo para os moçambicanos" e um "exemplo clássico de corrupção organizada em todo o regime".

A notícia do presumível envolvimento do chefe de Estado, segundo a Renamo, "arrepia os contribuintes" e demonstra que Moçambique "está capturado" por um "regime cujo objetivo único é roubar ao povo".

A Renamo pede que a PGR acione os mecanismos legais para o "apuramento da verdade", nomeadamente, para responsabilização civil e criminal dos envolvidos nas dívidas ocultas.

Um porta-voz da Frelimo disse na quinta-feira que Filipe Nyusi "continua calmo e segue os acontecimentos".

"Ele não tem nada a ver com a questão das dívidas", referiu Caifadine Manasse, secretário do Comité Central do partido para a Comunicação e Imagem, em declarações ao serviço em inglês da Agência de Informação de Moçambique (AIM).

O estaleiro naval Privinvest é acusado de subornar governantes, políticos e banqueiros para levarem avante os projetos das empresas marítimas moçambicanas Ematum, MAM ou Proindicus que, entre 2013 e 2016, assumiram dívidas ocultas de 2,2 mil milhões de dólares com avales do Estado.

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