Jean Boustani, negociador da empresa Privinvest e principal arguido num julgamento que decorre nos Estados Unidos da América (EUA) por crimes de fraude económica, subornos e branqueamento de capitais, disse que a atual administração moçambicana, liderada pelo Presidente Filipe Nyusi, é a grande culpada de os projetos Ematum, MAM e Proindicus não estarem a funcionar.

O suspeito disse que a Privinvest pagou milhões de dólares para a campanha presidencial de Filipe Nyusi em 2014, a pedido do ex-Presidente Armando Guebuza, porque existia “um acordo” de Filipe Nyusi tornar-se chefe de Estado e Armando Guebuza passar a ser dirigente do partido Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).

“De repente, houve uma espécie de Golpe de Estado e o Presidente Guebuza foi rejeitado do partido”, contou Jean Boustani no tribunal federal de Nova Iorque, onde está a ser julgado.

Jean Boustani disse que, em 2015, a Proindicus, MAM ou Ematum não estavam a gerar receitas, devido a “colapso macroeconómico e conflitos políticos internos”.

“A partir daquele momento” contou o arguido libanês, “houve uma grande campanha hipócrita e de sabotagem por parte da administração corrente”, contra “tudo relacionado com o Presidente Guebuza, inclusivamente os projetos” empreendidos pela Privinvest, disse Jean Boustani.

E acrescentou: “Na minha opinião, é uma tristeza, porque os projetos não eram para o Armando Guebuza, eram para Moçambique”.

Para o suspeito, existe uma “agenda política por trás” do fracasso da Ematum, MAM e Proindicus, porque, em vez de o atual Governo “ativar os projetos” para gerar receitas, está a conduzir “uma grande campanha de desvio e para esconder toda a verdade”.

Jean Boustani acrescentou também que “todas as histórias nos media” que davam conta de “dívidas ocultas” que o Fundo Monetário Internacional (FMI) desconhecia eram “mentira”.

“O FMI sabia da restruturação da Proindicus, Ematum e MAM” e “tudo o que estava escrito nos media era mentira”, disse Jean Boustani no seu depoimento.

Na sessão de quarta-feira, o advogado de defesa de Jean Boustani, Michael Schachter perguntou ao suspeito: “Acredita que os projetos Ematum, MAM e Proindicus ainda podem ser bem sucedidos e bons para Moçambique?”

O negociador respondeu que os “projetos são projetos históricos”, que “podem gerar bilhões para a República de Moçambique e podem ser um ‘divisor de águas’ (‘game changers’) na África e na economia”.

“Tudo o que o Governo de Moçambique tem de fazer e eu incito, por favor, o Presidente Nyusi para colocar a ficha na tomada e ativar os projetos. Só isso”, declarou o arguido.

Na quarta-feira, Jean Boustani revelou que a empresa Privinvest pagou cinco milhões de dólares para a campanha presidencial de Filipe Nyusi de 2014 (um milhão para a campanha própria e quatro milhões para a Frelimo), a pedido do antigo Presidente Armando Guebuza.

A Privinvest fornecia embarcações e serviços de proteção costeira às empresas públicas moçambicanas Ematum, MAM e Proindicus, que recorreram a empréstimos de milhões de dólares, com garantias de devolução asseguradas pelo Estado de Moçambique.

Depois de falharem vários pagamentos, o Estado moçambicano ficou com uma dívida de mais de 2,2 mil milhões de dólares, revelada em 2016.

Os EUA avançaram com o processo para julgamento em dezembro do ano passado, por alegados prejuízos a investidores internacionais e pela passagem no território norte-americano de milhões de dólares de subornos a membros do Governo moçambicano, uma violação da Lei de Práticas de Corrupção no Exterior dos Estados Unidos.

Jean Boustani está em prisão preventiva desde 02 de janeiro e em julgamento desde 15 de outubro, com o fim do processo de acusação e defesa previsto para sexta-feira.

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