"O que temos de fazer agora é aguardar até que o ministro sul-africano decida. Só a partir daí é que podemos reagir, mas até aqui é o conformismo", disse em declarações à Lusa Abel Nuro, adido de defesa da Embaixada de Moçambique em Pretória.

Questionado se o Governo moçambicano pretende agora abordar directamente o ministro da Justiça sul-africano, Michael Masutha, nomeado para o cargo em 2013 pelo ex-Presidente Jacob Zuma, o conselheiro da embaixada de Moçambique em Pretória declarou: "Não podemos antecipar os acontecimentos".

O juiz William Schutte decidiu ontem no tribunal de Kempton Park, na África do Sul, que o ex-ministro Manuel Chang tem condições para ser extraditado para os Estados Unidos da América e também para Moçambique, remetendo agora a decisão para o Governo sul-africano.

O magistrado referiu que o pedido de extradição das autoridades moçambicanas "confirma que o arguido Manuel Chang assinou as garantias que facilitaram os empréstimos para as chamadas empresas criadas para o efeito [da dívida oculta]".

O juiz acrescentou que "o documento confirma que a República Popular de Moçambique sofreu uma perda financeira na ordem de 2,7 mil milhões de dólares" e que "as provas confirmam que o arguido [Manuel Chang] aparentemente recebeu ostensivamente na ordem de 17 milhões de dólares alegadamente de receitas do crime".

"O pedido de extradição de Moçambique tem por base a prática de sete crimes e o arguido não se opõem à sua extradição para Moçambique", declarou o juiz.

Manuel Chang, 63 anos, actual deputado da Frelimo, foi detido pela Interpol no aeroporto internacional Oliver Tambo, arredores de Joanesburgo, no dia 29 de dezembro de 2018, quando tentava embarcar para o Dubai.

Chang foi detido no âmbito de um mandado internacional emitido em 27 de Dezembro pela justiça norte-americana, que pede a sua extradição, na investigação às dívidas ocultas garantidas pelo Estado moçambicano de dois mil milhões de dólares entre 2013 e 2014.

Além de Manuel Chang, três ex-banqueiros do Credit Suisse e um intermediário da empresa naval Privinvest foram detidos em diferentes países desde 29 de Dezembro, a pedido da justiça norte-americana, no âmbito da mesma investigação.

A acusação da justiça norte-americana refere em detalhe que as dívidas a favor das empresas públicas Ematum, Mam e Proindicus terão servido para um esquema de corrupção e branqueamento de capitais com vista ao enriquecimento de vários suspeitos, entre os quais, contam-se governantes do partido no poder em Moçambique.

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