"O MDM exige que nas próximas 72 horas o Presidente da República, Filipe Nyusi, venha a pôr o seu cargo à disposição e que o Conselho Constitucional, como ainda não validou os resultados, possa declarar essas eleições [de 15 de outubro] nulas", referiu Augusto Pelembe, chefe nacional adjunto de Informação do MDM, em conferência de imprensa, em Maputo.

Jean Boustani, principal arguido de um caso de corrupção, ligado às dívidas ocultas do Estado moçambicano, em julgamento nos Estados Unidos da América, afirmou na quarta-feira que Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique e da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) bem como um antigo ministro das Finanças do país receberam milhões de dólares para campanhas eleitorais em 2014.

"Exigimos que Filipe Nyusi se demita, que o Conselho Constitucional declare nulas essas eleições e convoque novas", reiterou Augusto Pelembe, ao resumir o comunicado do MDM - partido que já havia alegado fraude para rejeitar os resultados que reelegeram Nyusi e reforçaram o poder da Frelimo.

O dirigente da oposição acrescentou que o partido vai “apelar para uma marcha a nível nacional” : “Vamos sair à rua, vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para tentar persuadir esses senhores, para que possam renunciar ou colocar-se à disposição da justiça moçambicana".

Augusto Pelembe apelou às forças de segurança para que não tentem "calar a voz dos moçambicanos".

Segundo o MDM, "não faz sentido o país ser governado por alguém" ou por "um partido" que "é suspeito ou está envolvido na desgraça do povo moçambicano", sublinhou, apelando à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que chame "à barra da justiça" todos os nomes citados por Boustani, em Nova Iorque.

"Também exigimos que nestas 72 horas o partido Frelimo possa vir esclarecer os moçambicanos" acerca do seu papel no "calote que está a desgraçar a vida" da população, disse Augusto Pelembe.

O MDM considera que Moçambique não pode ter "um Governo e um Presidente cujos nomes estão nos autos" de um caso de crime organizado, para que o país não sofra como outros, apontando os casos de Bolívia, Líbia, Iraque ou Zimbábue.

Questionado pelos jornalistas, Augusto Pelembe recusou a ideia de que o MDM esteja a fazer uma declaração precipitada, considerando já haver muitas provas e detenções no caso das dívidas ocultas, pelo que "o país não pode ser governado nos próximos cinco anos por um grupo de gangsters" ou "uma quadrilha que se uniu para desgraçar o povo moçambicano".

O dirigente contrapôs com o facto de "crianças estudarem debaixo das árvores, haver hospitais sem medicação", haver um alto custo de vida para a generalidade dos moçambicanos e desemprego elevado, cenário para o qual o "calote" contribuiu.

O negociador da empresa Privinvest, Jean Boustani, disse que a companhia pagou quatro milhões de dólares para o partido Frelimo, para "apoiar a campanha presidencial" de Nyusi em 2014 e cinco milhões de dólares para a "campanha para o parlamento" de Manuel Chang.

Jean Boustani disse ainda que o chefe de Estado surgia identificado como "Nuy", apontado para receber dois milhões de dólares, num e-mail para o diretor financeiro da Privinvest, Najib Allam, datado de 08 de abril de 2014, com uma lista de números programados para "contribuições" a várias figuras moçambicanas.

Já numa sessão anterior do julgamento, a acusação norte-americana tinha revelado registos bancários de uma transferência de 10 milhões de dólares de uma subsidiária da Privinvest, para a Frelimo, em quatro tranches, em 2014.

O estaleiro naval Privinvest é acusado de subornar governantes, políticos e banqueiros para levarem avante os projetos das empresas marítimas moçambicanas Ematum, MAM ou Proindicus que, entre 2013 e 2016, assumiram dívidas ocultas de 2,2 mil milhões de dólares com avales do Estado.

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