O CIP apela ao uso de roupa "branca (paz) ou preta (luto)" com a frase "Eu não pago as dívidas ocultas", lê-se no manifesto publicado no semanário Savana e na Internet.

O apelo surge duas semanas depois de a organização ter começado a oferecer mil camisolas com a frase "Eu não pago as dívidas ocultas", entretanto usadas nas redes sociais e algumas das quais confiscadas pela Polícia da República de Moçambique (PRM), alegando ser uma forma de manifestação ilegal.

Na mesma altura, uma activista do CIP foi alvo de ameaças e intimidações, levando a Amnistia Internacional (AI) a pedir que as mesmas sejam investigadas.

No manifesto de hoje, pede-se que cada qual mostre a sua posição a 04 de Fevereiro, dia de tolerância de ponto, após o feriado nacional do Dia dos Heróis, no domingo, em memória de quem lutou pela independência do país.

"Estejas onde estiveres, o mundo saberá que és contra as dívidas ocultas e ilegais, que estão a hipotecar o nosso futuro e dos nossos filhos e outras gerações vindouras de moçambicanos", refere a organização.

O manifesto sugere que se vista a "camisola da indignação", no ‘chapa', no ‘my love' (transportes públicos), no mercado, em casa, na praia, no convívio familiar e que cada um "faça um pequeno vídeo e partilhe com os seus familiares e amigos".

O documento elenca 18 pontos sobre diversos aspectos do caso das dívidas ocultas do Estado que, segundo o CIP, devem motivar indignação: a contracção ilegal das dívidas, a sua integração nas contas públicas, os indícios de corrupção e outros crimes, a falta de resultados da justiça moçambicana (ao cabo de três anos e meio de investigação) e sua instrumentalização, a impunidade e o agravamento da crise no país.

O ex-ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang, três ex-banqueiros do Credit Suisse e um intermediário da empresa naval Privinvest foram detidos em diferentes países desde 29 de Dezembro a pedido da justiça norte-americana.

A acusação contém revelações detalhadas sobre o caso das dívidas garantidas pelo Estado moçambicano, entre 2013 e 2014, a favor das empresas públicas Ematum, Mam e Proindicus, concluindo que terão servido para um esquema de corrupção e branqueamento de capitais com vista ao enriquecimento de vários suspeitos.

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