O pedido dos EUA esteve em análise na passada quinta-feira, mas o juiz William J.J. Schutte, do tribunal de Kempton Park, arredores de Joanesburgo, adiou a decisão para hoje.

O juiz decidiu, na semana passada, analisar separadamente o pedido dos EUA, o primeiro a dar entrada na justiça sul-africana, deixando o pedido de extradição entregue por Moçambique para uma ocasião posterior, em separado e possivelmente por outro magistrado.

O advogado de defesa William Vermuelen argumentou que o ex-governante moçambicano "aceitou o pedido de extradição de Moçambique" e "opõe-se à sua extradição para os Estados Unidos".

A defesa de Chang alega que o tribunal deveria consolidar os pedidos concorrenciais dos EUA e de Moçambique, algo que o juiz Schutte recusou.

Por seu lado, o procurador do Ministério Público sul-africano, Johan Du Toit, considerou que devem ser analisados "os méritos de ambos os pedidos, no interesse da justiça, e o ministro [da tutela] depois decidirá sobre a execução da decisão deste tribunal".

A sessão da semana passada ficou marcada pelo pedido da organização não-governamental moçambicana Centro de Integridade Pública para se constituir como assistente no processo, requerimento que foi recusado pelo juiz, que alegou que o tribunal não tem poderes para tomar esta decisão.

Também a defesa de Manuel Chang se opôs à entrada da ONG como assistente.

O deputado e antigo ministro das Finanças Manuel Chang encontra-se detido na África do Sul desde 29 de dezembro de 2018 à luz de um mandado internacional emitido pela justiça dos Estados Unidos, que pede a sua extradição, no âmbito da sua investigação às dívidas ocultas em Moçambique.

Manuel Chang, 63 anos, é membro do Comité Central do partido Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder desde 1975, e goza de imunidade em Moçambique por ser deputado na Assembleia da República.

Chang foi vice-ministro do Plano e Finanças entre 2000 e 2004, no executivo de Joaquim Chissano e ministro das Finanças nos dez anos do Governo de Armando Emílio Guebuza entre 2005 e 2015.

De acordo com a acusação norte-americana, Manuel Chang recebeu alegadamente milhões de dólares em subornos em troca de dívidas secretamente contraídas pelo Estado moçambicano, sem o conhecimento do parlamento, entre 2013 e 2014, de mais de dois mil milhões de dólares a favor de três empresas públicas (Ematum, Proindicus e MAM) criadas para o efeito em Moçambique.

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