"Nós queremos que seja um processo gerido com seriedade e que a lei seja cumprida. É preciso sermos sérios e fazermos Justiça", afirmou Flávio Menete.

Flávio Menete falava em Maputo, durante o lançamento de processo para eleição de um novo bastonário na OAM.

No âmbito do processo judicial das dívidas ocultas iniciado pela Justiça dos EUA, o ex-ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang, volta a tribunal em Joanesburgo, África do Sul, na quinta-feira, para conhecer a decisão sobre o pedido norte-americano de extradição sob acusação de fraude e lavagem de dinheiro.

Por seu turno, o Tribunal Judicial de Maputo decretou em meados deste mês a prisão preventiva de oito dos nove arguidos no âmbito da investigação às dívidas ocultas do Estado.

O bastonário da Ordem dos Advogados considera que a responsabilização deve ser de "forma exemplar", se for comprovado o envolvimento dos arguidos no crime.

A situação das dívidas ocultas criou ao país problemas "bastante sérios", alguns dos quais "irrecuperáveis": "Se assumirmos que em resultado da situação financeira que decorreu destas dívidas, tivemos problemas graves de subnutrição", argumentou, acrescentado que existe um "número grave de crianças com subnutrição".

No âmbito do processo das dívidas ocultas ficaram em prisão preventiva António do Rosário, administrador-delegado das três empresas públicas no centro do escândalo (Ematum, Proindicus e MAM), Gregório Leão, ex-diretor do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE), a "secreta" moçambicana, Bruno Tandade, operativo daquele serviço de informações, Inês Moiane, secretária pessoal de Armando Guebuza - Presidente da República quando o Estado avalizou secretamente os empréstimos

Além deste, estão detidos também Teófilo Nhangumele, alegado promotor junto de Moçambique da ideia de criar as empresas e contratar o financiamento; e Ndambi Guebuza, filho do ex-Presidente moçambicano Armando Guebuza.

Ficaram também em prisão preventiva Sérgio Namburete e Sidónio Sitoe, que, segundo o portal informativo Carta de Moçambique terão recebido transferências da Privinvest, que depois encaminhavam a outros implicados.

Elias Moaine, sobrinho da secretária pessoal do antigo chefe de Estado, viu-lhe concedida a liberdade sob caução de um milhão de meticais (cerca de 14 mil euros).

Estas detenções são as primeiras feitas pela justiça moçambicana após três anos e meio de investigação e aconteceram depois de a justiça norte-americana ter mandando prender Manuel Chang, antigo ministro das Finanças de Moçambique, detido a 29 de dezembro quando viajava pela África do Sul, onde aguarda por extradição - também disputada por Moçambique.

A acusação norte-americana contém correspondência e documentos que a levam a concluir que três empresas públicas moçambicanas de pesca e segurança marítima terão servido para um esquema de corrupção e branqueamento de capitais com vista ao enriquecimento de vários suspeitos, passando por contas bancárias dos EUA.

Em 2016, a revelação de que o Estado tinha dado garantias escondidas a empréstimos que ascendiam a dois mil milhões de dólares (cerca de 1,750 mil milhões de euros, ao câmbio atual) levou à suspensão de vários apoios internacionais, contribuindo para a degradação das perspetivas económicas do país.

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