Dado como vencedor das eleições pela Comissão Nacional de Eleições e apesar de o Supremo Tribunal de Justiça estar a analisar um recurso de contencioso eleitoral, apresentado pela candidatura de Domingos Simões Pereira, Umaro Sissoco Embaló decidiu avançar com a cerimónia, apesar de o Governo e o presidente do parlamento, que na Guiné-Bissau é quem indigita o Presidente eleito, pedirem para aguardar pela decisão judicial.

“Penso que é um mal necessário. Não queríamos que fosse desta forma, mas tínhamos de tirar o país do marasmo. O Governo não está a colaborar, o parlamento também não e estamos a fazer isto”, afirmou à Lusa Ibraima Djaló, coordenador dos 18 partidos que apoiaram Umaro Sissoco Embaló na segunda volta das presidenciais, realizada em 29 de dezembro.

Alípio Silva, presidente interino da Frente Democrática, disse que se trata de uma tomada de posse “real e assente nos ditames reais da viragem histórica da Guiné-Bissau e um reconhecimento definitivo do vencedor das eleições”.

“Para mim e creio para a maior parte dos guineenses vai significar tão somente o fim de um ciclo, porque a maior parte, para não dizer todos os guineenses, estão, e é por demais evidente na vida do quotidiano das pessoas, de que isto de facto não conduz a nada”, afirmou Vítor Pereira, antigo ministro da Comunicação Social do país e porta-voz do Partido de Renovação Social.

Para Vítor Pereira, a situação de crise permanente não conduz ao arranque do país para o desenvolvimento, que possa trazer a paz e o desenvolvimento.

No interior do hotel começam a juntar-se os apoiantes de Umaro Sissoco Embaló para acompanhar a cerimónia.

Em Bissau, o dia decorre normalmente, depois do fim da greve dos transportes coletivos realizada na quarta-feira.

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau confirmou na terça-feira os resultados das eleições presidenciais e a vitória de Umaro Sissoco Embaló, tendo rejeitado as reclamações apresentadas pela candidatura de Domingos Simões Pereira.

Segundo o apuramento nacional da segunda volta das eleições presidenciais de 29 de dezembro, Sissoco Embaló venceu o escrutínio com 53,55% dos votos, enquanto Domingos Simões Pereira obteve 46,45%.

Após mais esta plenária da CNE, a candidatura de Domingos Simões Pereira apresentou na quarta-feira um novo recurso de contencioso eleitoral no Supremo Tribunal de Justiça, que na Guiné-Bissau tem também função de tribunal eleitoral.

Também na quarta-feira, o primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes, referiu que se Sissoco Embaló insistir na tomada de posse hoje tratar-se-á de um “golpe de Estado”.

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