Consultado hoje pela agência Lusa, o sistema judicial indica que o processo foi iniciado na quarta-feira pela Procuradoria-Geral actua em nome da República de Moçambique e nomeia como arguidos o Credit Suisse International, Credit Suisse AG e os antigos executivos do banco de investimento, Surjan Singh, Andrew James Pearse e Detelina Subeva.

Estão também nomeados como arguidos as empresas Privinvest Shipbuilding SAL Abu Dhabi branch, Abu Dhabi Mar LLC, Privinvest Shipbuilding Investments LLC, Logistics International SAL (offshore), Logistics International Investments.

O justiça norte-americana está a processar sete arguidos no caso das dívidas ocultas de Moçambique, que ultrapassaram dois mil milhões de dólares em 2016, com acusações de conspiração para defraudar os EUA, conspiração para fraude electrónica, conspiração para fraude com valores mobiliários e branqueamento de capitais, entre outras.

As dívidas ocultas do Estado moçambicano atingiram cerca de 2 mil milhões de dólares após várias transacções internacionais no período entre 2013 a 2016, adquiridas aos bancos de investimentos Credit Suisse e VTB junto de investidores de todo o mundo e dirigidas às empresas estatais moçambicanas Proindicus, Ematum e MAM, acentuando uma crise financeira pública que levou Moçambique a entrar em incumprimento no pagamento aos credores internacionais.

Porém, a justiça norte-americana ilibou os bancos Credit Suisse e VTB, responsáveis pelos empréstimos ocultos às empresas moçambicanas, de qualquer acusação pela justiça norte-americana, que conduz o caso, porque pediram o cumprimento das normas internacionais.

Segundo a Acusação, os bancos tinham pedido que os empréstimos a empresas públicas moçambicanas, no valor de 2 mil milhões de dólares, fossem públicos e apresentados ao Procurador-Geral de República de Moçambique e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas os funcionários manipularam os sistemas de controlo bancário e deixaram cair regras internacionais que eram seguidas pelos bancos.

Pearse, Singh e Subeva são suspeitos de contornar e defraudar os sistemas de controlo interno dos bancos, de omitir informações importantes sobre a probabilidade da corrupção nestas transações e de eliminar e substituir regras impostas pelos respectivos bancos.

O processo de extradição, actualmente em curso no Tribunal de Magistrados de Westminster, tinha uma audiência marcada para hoje, mas foi adiada para a próxima sexta-feira, 08 de março.

No processo da justiça norte-americana é também arguido o libanês Jean Boustani, negociador e responsável de vendas da Privinvest, grupo de construção naval com sede no Líbano.

A Privinvest tem no seu universo as subsidiárias Privinvest Shipbuilding SAL Abu Dhabi branch, Abu Dhabi Mar LLC, Privinvest Shipbuilding Investments LLC, Logistics International SAL (offshore) e Logistics International Investments, nomeadas no processo da procuradoria moçambicana em Londres.

O processo no Tribunal Comercial de Londres, que é palco requente de disputas complexas de negócios nacionais e internacionais, não tinha acesso aberto ao público nem qualquer audiência marcada.

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