“A detenção do antigo ministro das Finanças na África do Sul é prova da incompetência vergonhosa da justiça moçambicana”, disse à Lusa o porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), maior partido da oposição, José Manteigas.

José Manteigas acusou a Procuradoria-Geral da República de “letargia” na investigação de dívidas públicas ocultas de mais de dois mil milhões de euros que terão levado as autoridades norte-americanas a emitirem um mandado de captura internacional a Manuel Chang, ministro das Finanças durante o período em que aqueles créditos foram concedidos.

"A Renamo sente repugnância em relação à letargia da Procuradoria-Geral da República na investigação das dívidas ocultas, porque, desde a primeira hora, o país pediu a responsabilização dos autores desses empréstimos ilegais", frisou José Manteigas.

Perante aquilo que a Renamo classifica de apatia da justiça moçambicana, Manteigas defende que o aís deve encorajar a intervenção dos estados ou entidades internacionais que também foram lesados nestas operações financeiras.

Por seu turno, o porta-voz do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Sande Carmona, disse à Lusa que a detenção de Manuel Chang revela a "desorganização" do Estado moçambicano, que não se mostrou à altura de esclarecer judicialmente os crimes de que o ex-governante é acusado.

"Recebemos a notícia da detenção do antigo ministro e atual deputado da Assembleia da República no estrangeiro com apreensão, porque demonstra que o Estado moçambicano está desorganizado e falhou na sua função de administração da justiça", afirmou.

Carmona deplorou o silêncio das entidades judiciais moçambicanas e do Governo em relação à detenção, assinalando que Manuel Chang é um antigo ministro e deputado da Assembleia da República.

"O país só pode estar chocado com o silêncio das entidades judiciais, Governo e Assembleia da República, porque o detido é antigo governante e atual deputado, com imunidade e passaporte diplomático", frisou.

A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder e de cujo Comité Central (CC) o Manuel Chang é membro, ainda não se pronunciou sobre o caso.

Manuel Chang foi detido na África do Sul no dia 29 de dezembro, quando tentava embarcar para o Dubai, na sequência de um pedido de extradição das autoridades norte-americanas.

O seu advogado indicou esta quinta-feira que o ex-governante moçambicano vai contestar o pedido de extradição para os Estados Unidos.

A Procuradoria da Justiça em Nova Iorque subiu para cinco o número de acusados no esquema de fraude envolvendo empréstimos a empresas públicas moçambicanas realizados à margem das contas, no valor de mais de 2 mil milhões de dólares.