Segundo a ONG Human Rights Watch, grupos criminosos não identificados, armados com espingardas e catanas, raptaram, entre Abril de 2017 e Março de 2020, pelo menos 170 pessoas, das quais metade são mulheres e menores do sexo feminino. As vítimas foram espancadas, submetidas a tortura, violação diária e algumas foram mortas. Este atos aconteciam quando uma exorbitante soma exigida, entre os 200 e os 600 dólares, segundo a HRW, não era paga pelas famílias.

Este crimes, segundo a ONG, foram cometidos até agora em total impunidade, sobretudo em Bukoma, território de Rutshuru, na província do Kivu Norte, no leste da República Democrática do Congo (RDC), bastião de várias milícias e grupos armados não identificados. Isto apesar da presença, num raio de apenas dez quilómetros de distância, de forças de segurança congolesas, de uma base da MONUSCO - A Missão das Nações Unidas na RDC - e de centenas de guardas florestais do Parque de Virunga, o mais antigo de África.

Com efeito, grande parte do território de Bukoma é controlado pelo grupo rebelde ruandês RUD-Urunana, uma fação dissidente das Forças Democráticas de Libertação do Ruanda (FDLR ), um grupo armado envolvido em centenas de raptos nos últimos anos. Contudo, a HRW não conseguiu provar a implicação dos seus combatentes nestes casos mais recentes.

A ONG pede ao governo da RDC que ponha termo ao “reino de terror imposto por estes grupos e que facilite os cuidados adaptados e toda a ajuda necessária às sobreviventes de violação, [as quais se encontram] traumatizadas e estigmatizadas“.

Thomas Fessy, representante da Human Rights Watch na República Democrática do Congo, não teve meias-palavras sobre a atitude das autoridades do país em relação ao problema: “Em três anos, não vimos um único inquérito aberto para tentar desmantelar esses gangues e identificar os suspeitos. Apelamos ao governo congolês a agir com urgência para pôr termo a estes raptos e abusos sexuais generalizados, cometidos perto ou no Parque de Virunga. Julgamos que deveria ser pedido o apoio das forças de segurança, quer da polícia, quer militares, pois há muitas operações militares em curso na região, há muitos militares congoleses ali estacionados”.

O representante da HRW exorta também o governo da RDC a pedir apoio à MONUSCO, assim como aos guardas do Parque de Virunga. "Contactámos todos os atores [na região], e eles tomaram nota", acrescenta. "Agora esperamos ver ações concretas para pôr termo a estes abusos“.

Segundo os testemunhos recolhidos pela ONG, as mulheres e menores eram frequentemente violadas várias vezes por dia e, em algumas situações, por vários homens diferentes. “Tornámo-nos nos seus objectos sexuais, era a toda a hora”, declarou uma sobrevivente à HRW.

O Parque Nacional de Virunga, que se estende por uma superfície de 7.800 quilómetros quadrados, na província do Kivu Norte, na fronteira com o Ruanda e o Uganda, esteve encerrado ao turismo entre Maio de 2018 e o início de 2019, após a morte de um guarda florestal com formação em ecologia e o rapto de dois turistas britânicos a 11 de Maio de 2018, num emboscada armada. Os dois reféns foram libertados dois dias depois.

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