"Sempre me pareceu que os confrontos militares e as crises económicas eram as maiores catástrofes deste país, mas o impacto das mudanças climáticas está a desmentir-me", declarou Severino Ngoenha, reitor da Universidade Técnica de Moçambique (UDM), num seminário sobre “mudanças climáticas”.

O académico assinalou que a devastação social e económica causada pelos ciclones Idai e Kenneth, entre março e abril deste ano, mostra que o perigo das mudanças climáticas para Moçambique supera a instabilidade militar e a crise económica.

"Temos as dívidas ocultas, que foi um terrível golpe para todos os setores da sociedade moçambicana, mas depois vieram o Idai e o Kenneth, com uma força mais arrasadora", comparou Severino Ngoenha.

A magnitude e a frequência dos desastres naturais que afetam Moçambique mostram que o perigo das alterações climáticas é já uma realidade constante que exige respostas combinadas, defendeu.

"O risco é permanente e mora connosco, é também complexo e exige soluções complexas", defendeu o reitor da UDM.

Nesse sentido, a comunidade académica e científica moçambicana deve colocar a questão ambiental no centro da pesquisa e investigação e apostar na colaboração e interdisciplinaridade.

"A emergência do problema ambiental demanda uma atitude ecuménica dos académicos e investigadores moçambicanos, porque sem interdisciplinaridade não haverá uma ação eficaz contra o perigo do desastre ecológico", declarou Severino Ngoenha.

O "Seminário Técnico-Científico sobre Mudanças Climáticas" junta especialistas em estudos ambientais, académicos e ativistas da causa do ambiente.

O encontro é promovido pelas organizações não-governamentais de defesa do ambiente Observa e Livaningo, em parceria com as embaixadas de França, Finlândia e Suécia.

Um total de 714 pessoas morreram e outras 2,8 milhões foram afetadas por calamidades naturais durante a época das chuvas de 2018/2019, um período marcado pela passagem de dois ciclones de máxima intensidade (Idai e Kenneth) no país.

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