"Temos estado a funcionar com geradores e o combustível deve ter acabado no gerador porque fomos informados que iriam desligar às 13:00 (11:00 em Lisboa)", disse a juíza Sagra Subroyen.

A decisão da juíza sul-africana foi anunciada esta manhã, 10 minutos depois do início da audiência, pelas 12:40 locais (10:40.

Manuel Chang, 63 anos, antigo ministro das Finanças e actual deputado na Assembleia da República Frelimo, no poder, entrou na sala do tribunal às 12:38 (10:38 de Lisboa), sob fortes medidas de segurança.

A interrupção de energia eléctrica no edifício do tribunal sul-africano ocorreu no momento em que a defesa de Chang se preparava para negociar a libertação sob fiança do ex-governante moçambicano.

A falha de energia afectou o sistema de registo sonoro na sala B, onde decorre a audição do caso de Manuel Chang, pelo que não foi possível prosseguir com a gravação da audição de hoje.

A juíza Sagra Subroyen adiantou que a 05 de Fevereiro, depois da apresentação da argumentação da defesa de Manuel Chang, para efeitos de registo sonoro, transitará para o tribunal de extradição a audição do pedido de extradição dos Estados Unidos, que já estava prevista para esta data.

A procuradora sul-africana Elivera Dreyer entregou esta manhã ao tribunal o passaporte diplomático de Manuel Chang na posse da polícia sul-africana.

Dreyer adiantou que as autoridades sul-africanas receberam na segunda-feira, 28 de Janeiro, o processo de extradição dos Estados Unidos.

"O processo de extradição (dos Estados Unidos) foi recebido na segunda-feira, dia 28, pelo Ministério das Relações Internacionais, e foi ontem [quinta-feira] recebido pelo gabinete do ministro da Justiça, foi redigido um memorando e estamos a aguardar a assinatura do ministro para ser depois encaminhado para nós, o Ministério Público", explicou Dreyer.

No final, em declarações a jornalistas, a procuradora sul-africana precisou que o Ministério Público "não recebeu qualquer pedido de extradição de Moçambique".

Os EUA acusam Manuel Chang de conspiração para fraude electrónica, conspiração para fraude com valores mobiliários e lavagem de dinheiro.

Chang foi detido no Aeroporto Internacional O. R. Tambo, em Joanesburgo, com base num mandado de captura internacional emitido pelos Estados Unidos em 27 Dezembro.

Manuel Chang foi ministro das Finanças de Moçambique durante a governação de Armando Guebuza, entre 2005 e 2010.

Foi no mandato ministerial de Manuel Chang que o executivo moçambicano da altura avalizou dívidas secretamente contraídas a favor de três empresas públicas ligadas à segurança marítima e pescas, entre 2013 e 2014.