Breve cronologia que conduziu a assinatura do Acordo Geral de Paz, a 4 de Outubro de 1992, e dos 20 anos de Paz em Moçambique.

1975

Independência de Moçambique a 25 de Junho, conforme o estabelecido nos Acordos de Lusaka, entre o Governo Português e a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Samora Machel é o primeiro presidente da então República Popular de Moçambique.

1976

Fundação da REMAMO (Resistência Nacional de Moçambique), o movimento de resistência ao regime monopartidário marxista que se instalara em Moçambique. A Renamo conta inicialmente com o apoio da Rodésia, África do Sul e indirectamente dos EUA.

1976/1977

Início da guerra civil entre a FRELIMO e a RENAMO que durou até 1992. Esta guerra devasta o país e conduz à morte 1 milhão de pessoas e mais de 3 milhões de refugiados. A guerra civil provoca uma paralisia social e económica de Moçambique.

1980

O Governo do Apartheid da África do Sul declara apoio ao movimento rebelde RENAMO

1982

Chegada das tropas do Zimbabwe para controlar os oleodutos e linhas ferroviárias entre Mutare e a Beira. Estas tropas só saíram de Moçambique em 1993.

1984

Assinatura dos Acordos de Nkomáti, entre os Governos de Moçambique e da África do Sul. Por via dos mesmos, Moçambique deixa de dar apoio ao movimento nacionalista sul-africano ANC e a África do Sul compromete-se a deixar de dar o apoio à Renano.

1986

O Primeiro Presidente de Moçambique, Samora Moisés Machel, morre a 19 de Outubro de 1986 num trágico acidente aéreo ocorrido em Mbuzine, na África do Sul, se encontrava de regresso de uma reunião internacional em Lusaka.

Joaquim Alberto Chissano, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros, assume a Presidência de Moçambique.

1987

A guerra civil aumenta de intensidade e nesse ano registam-se dois massacres que chocaram o país e o Mundo. Em
Agosto, regista-se o Massacre das populações de Homoíne (que causa a morte de cerca de 400 pessoas) e de Manjacaze.

1989

Queda do bloco da ex-União Soviética provoca uma ruptura nos apoios aos regimes marxistas em todo o mundo, o que se reflecte em Moçambique.

A RENAMO perde os seus apoios no Zimbabwe e na África do Sul.

A Frelimo abandona o marxismo-leninismo

Início de conversões entre a Renamo e a Frelimo, em Roma, sob a égide do Quénia e do Zimbabwe.

1990

O governo altera a constituição de modo a garantir um sistema político multi-partidário.

Prosseguem negociações para o tratado de paz entre o governo de Moçambique e a RENAMO, com delegações chefiadas respectivamente por Armando Emílio Guebuza e Raúl Domingos.

1992

A 4 de Outubro regista-se a Assinatura, em Roma, de um tratado de paz entre o governo e a Renamo, pondo fim a 16 anos de guerra civil.

As tropas e quadro seniores na RENAMO retiram-se das matas e instalam-se nas cidades moçambicanas.

Em Dezembro, a ONU envia para Moçambique forças para a manutenção da paz numa missão denominada ONUMOZ.

Retirada das forças do Zimbabwe que auxiliavam o governo a controlar as vias de comunicação entre a Beira e o Limpopo

1993

Em Agosto, a ONU lança um programa de repatriamento para refugiados que termina em Maio de 1995 (cerca de 1 700 000 refugiados serão repatriados para Moçambique).

1994

Moçambique realiza as primeiras eleições gerais e multi-partidárias que têm lugar a 27 e 29 de Outubro. A Frelimo é o partido mais votado para o parlamento, e Joaquim Chissano para a Presidência da República.

Pascoal Mocumbi é indicado Primeiro-Ministro e tem pela frente a tarefa de reconstrução económica e social do país, com destaque para o processo de reintegração dos guerrilheiros da RENAMO.

1995

Em Março, as instituições internacionais como o Banco Mundial e o FMI acordam num plano de reformas económicas e de diminuição da pobreza.

Moçambique torna-se membro da "Commonwealth".

1996

Em Julho, Moçambique adere à Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) 

1998

A 9 de Março, Joaquim Chissano e Afonso Dhlakama encontraram-se para debaterem divergências sobre alegadas irregularidades no processo relativo a preparação das primeiras eleições autárquicas.

Em Junho realizam-se as primeiras eleições autárquicas nas principais cidades do país, mas  sem a participação da Renamo, que não reconheceu os resultados.

1999

A 3 e 5 de Dezembro decorrem as segundas eleições legislativas e presidenciais. A Frelimo e Joaquim Chissano são novamente declarados vencedores, mas a Renamo - União Eleitoral recusa-se a aceitar os resultados, declarando que houve fraude.

A 9 de Novembro, a Renamo promove diversas manifestações pelo país. Em consequências de confrontos com a polícia morrem 40 manifestantes. A oposição exige a recontagem dos votos das eleições de 1999.

2000

Moçambique é assolado por grandes cheias que afectam toda a região sul do país, forçando a população a abandonar as suas regiões devido à destruição causada.

A 22 e 23 de Novembro ocorrem detenções pela polícia de membros dos partidos da oposição. Cerca de uma centena de detidos morre na cadeia de Montepuez, na província de Cabo Delgado (norte).

A 20 de Dezembro, iniciam-se novas conversações entre o presidente moçambicano Joaquim Chissano e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, como resultado das pressões da sociedade moçambicana e da comunidade internacional, nomeadamente da União Europeia, tendo os dois líderes anunciado reuniões subsequentes e terminado o encontro com um simbólico aperto de mão.

2001

A 19 de Fevereiro, conversações entre a Renamo e o Presidente Chissano, para analisar as reivindicações deste movimento político. As conversões posteriores apenas serviram para aprofundar as respectivas divergências, nomeadamente sobre as alterações pontuais à Constituição da República.

2002

Frelimo elege o combatente veterano Armando Guebuza para candidato às eleições presidenciais de 2004.

Joaquim Chissano renuncia a candidatar-se a um terceiro mandato como Presidente da República de Moçambique, o que lhe valeu elogios ao nível internacional.

2003

O Brasil compromete-se a construir uma fábrica de produção de medicamentos anti-retrovirais para apoiar as vítimas do HIV-Sida.

2004

A Assembleia da República  adopta uma nova Constituição, que entrará em vigor depois das eleições gerais realizadas no mesmo ano.

Nas eleições de Novembro, Armando Guebuza é eleito Presidente da República pelo partido Frelimo após derrotar o seu maior rival, Afonso Dhlakama, candidato da Renamo.

2005

Armando Guebuza é empossado para segundo mandato como Presidente de Moçambique

Têm início as obras de construção da ponte sobre o rio Rovuma. O objectivo da ponte é ligar Moçambique à Tanzânia.

2006

Num plano promovido pelo grupo G8, o Banco Mundial cancela a maior parte das dívidas de Moçambique.
 
2007

Março: três dias de luto são declarados após a morte de 100 pessoas na sequência da explosão de um depósito de armas no Paiol de Malhazine.

O Presidente chinês Hu Jintao visita Moçambique e promete a cedência de empréstimos sem juros para o desenvolvimento das áreas de agricultura, saúde e educação.

Novembro: Reversão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa do governo português para o Estado moçambicano.

2008

O Governo Moçambicano dá início a uma campanha voluntária de repatriamento de moçambicanos que são vítimas de xenofobia na África do Sul que tinha como alvo emigrantes africanos. Milhares de moçambicanos legalmente empregados na África do Sul veem-se obrigados a abandonar o país.

2009

Armando Guebuza é reeleito nas eleições presidenciais com mais de 75% dos votos.

O Governo anuncia a cedência de um empréstimo no valor de USD 500 milhões por parte da União Europeia e dos governos dinamarquês e alemão para a construção de uma linha férrea que ligue a zona mineira de Moatize ao porto de Nacala até 2015.

2010

1 de Setembro: Manifestações na cidade de Maputo e província devido ao elevado custo de vida no país. As manifestações têm repercussão noutros pontos do país.

2011

Setembro: Moçambique acolhe os 10ºs Jogos Africanos, evento desportivo que acontece no país pela primeira vez e que envolve mais de sete mil pessoas entre atletas, treinadores, dirigentes e pessoal de apoio as cerca de 50 delegações que vieram à Maputo.

2012

Março: A Força de Intervenção Rápida faz uma incursão a um acampamento aonde estavam 300 apoiantes da RENAMO que supostamente estavam à espera de ordens para iniciar protestos anti-governo.

23 a 28 de Setembro: Frelimo realiza o seu X Congresso em Pemba, reelegendo Armando Guebuza para o cargo de Presidente do partido e nomeando novos membros para o Comité Central

2 de Outubro: O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, que, em 1992, assinou o acordo de paz com o ex-Presidente moçambicano Joaquim Chissano, disse não estar arrependido dessa decisão, mas queixou-se de "injustiças e humilhações".

2 de Outubro: O antigo Presidente moçambicano Joaquim Chissano revelou ter "fintado" Afonso Dhlakama ao não assumir na altura a autoria dos três últimos protocolos que provocaram impasse para a assinatura do Acordo Geral de Paz, em 1992, exigidos pela Renamo.

4 de Outubro: Moçambique inteiro comemora os 20 anos de paz e do calar das armas.

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Alfredo Lituri

SAPO MZ