“Esta vontade política de construção de um espaço comum de solidariedade, de concertação e de diálogo coloca diversos desafios à nossa organização, dos quais destacaria a facilitação da mobilidade de pessoas e bens, a criação de um ambiente económico e jurídico que facilite a promoção do comércio e investimento mútuos e uma maior aproximação aos cidadãos da nossa comunidade”, disse a responsável, na abertura da XII conferência de chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorre entre ontem e hoje em Santa Maria, ilha do Sal, Cabo Verde.

Maria do Carmo Silveira manifestou-se convicta de que, “com o contínuo engajamento de cada um dos Estados-membros, a CPLP será capaz de se superar no contexto do mundo globalizado, sem se descaracterizar, transformando os vínculos históricos, linguísticos e afetivos numa poderosa alavanca para o desenvolvimento dos seus Estados e consolidando-se enquanto realidade linguística, sem dúvida, mas também política e – esperamos – cada vez mais económica”.

A secretária-executiva ressaltou também o “crescente interesse” nas esferas internas e internacional que a comunidade tem suscitado, apontando o aumento de países e organizações interessados em obter o estatuto de observador associado e consultivo como um “claro indicador da atenção” de que a CPLP tem sido objeto.

A responsável advertiu ainda que a organização “é uma obra em construção”, na qual “as conquistas anteriores são fundamentais para as etapas seguintes”.

Maria do Carmo Silveira saudou o tema escolhido por Cabo Verde para a presidência rotativa da CPLP que assumiu ontem – “Cultura, Pessoas e Oceanos”, que definiu como “dimensões essenciais” da organização lusófona.

“Hoje, os recursos naturais e as atividades económicas ligadas ao mar oferecem possibilidades e desafios determinantes para o desenvolvimento sustentável dos nossos países. Cabe-nos avançar nos esforços de cooperação em torno deste enorme potencial de caráter natural, científico, económico, político e estratégico”, defendeu.

A transmissão, via televisão, do discurso de Maria do Carmo Silveira sofreu vários cortes e acabou por ser interrompido, impedindo os jornalistas que acompanham a cimeira de Santa Maria e que não têm acesso à sala onde decorre a reunião, de o acompanhar no tempo devido.

Da cimeira deverá sair uma declaração no sentido de promover a circulação dos cidadãos lusófonos, que foi objeto de uma proposta de Portugal e Cabo Verde na semana passada.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os Estados-membros da CPLP.

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