"Este acordo representa a possibilidade de um desenvolvimento económico e social mais sustentado do país e cria sem dúvida melhores condições para o investimento estrangeiro", afirmou o embaixador Francisco Ribeiro Telles, em declarações à Lusa por telefone.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, anunciou ontem na Assembleia da República que vai assinar na hoje o acordo para a cessação definitiva das hostilidades militares com o líder da Renamo, Ossufo Momade, na serra da Gorongosa, centro do país.

Dando como exemplo o acordo assinado entre Moçambique e os Estados Unidos para prospecção de gás no território nacional, através de um investimento da norte-americana Anadarko, Ribeiro Telles sublinhou que este tipo de projectos "pressupõem condições de paz e estabilidade, e o acordo vem ao encontro disso".

O acordo é, para o diplomata, "uma boa notícia para o país, para a região e para a CPLP".

Para Moçambique, "é muito importante ter estabilidade e desenvolvimento económico e social", salientou, referindo que "há países muito interessados em colaborar e cooperar com Moçambique e para isso é importante que haja estabilidade".

Para a região, "é importante, porque deixa de haver ali um foco de uma certa instabilidade que tinha a ver com o facto de não haver este acordo".

Para a CPLP, também é bom, por ser um dos seus Estados-membros que encontrou "o caminho para a paz e estabilidade", explicou o embaixador, frisando que aquela comunidade "tem tido boas notícias nos últimos tempos: este acordo de paz e a formação de um Governo na Guiné-Bissau".

Na opinião de Ribeiro Telles, este acordo "tem condições para ser definitivo".

Recordando conversas que teve "com altos dirigentes", durante a sua recente visita a Moçambique, o secretário-executivo da CPLP disse ter constatado que havia "uma certa saturação em relação a um processo que não tinha fim, e este acordo vem culminar este processo".

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, também já se congratulou hoje com o anúncio da assinatura do acordo entre o Estado e a Renamo em Moçambique, considerando tratar-se de "um passo enorme" para a paz e estabilidade.

"Este acordo significará um passo enorme para a paz e a estabilidade de Moçambique e um factor muito importante para o desenvolvimento económico e social, para o bem-estar e para a segurança das populações moçambicanas", disse Santos Silva à agência Lusa.

Filipe Nyusi disse que o acordo de hoje prevê o fim formal dos confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado da Renamo, principal partido da oposição.

O entendimento resulta do diálogo entre Filipe Nyusi e o falecido líder do principal partido da oposição Afonso Dhlakama e depois com o actual presidente da Renamo, Ossufo Momade.

No âmbito do diálogo entre Nyusi e a liderança da Renamo, arrancou na segunda-feira o Desarmamento, Desmobilização e Reintegração do braço armado deste partido, também na Serra da Gorongosa, no centro do país.

O acordo de quinta-feira será o terceiro entre o Governo da Frelimo e a Renamo, depois da assinatura do Acordo Geral de Paz de Roma de 1992 e do acordo de cessação das hostilidades militares em 2014, na sequência de uma nova vaga de confrontos entre as duas partes.

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