“A UE [União Europeia] está a tomar uma forte ação em casa para ultrapassar o coronavírus, mas não iremos voltar as nossas costas às nossas responsabilidades globais, em particular perante África. A parceira entre UE e os Estados de África, Caraíbas e Pacífico é um grande exemplo do multilateralismo vibrante que queremos promover”, afirmou Charles Michel.

O antigo primeiro-ministro belga, durante uma cimeira virtual organizada pelo Grupo de Estados de ACP, vincou: “Os nossos países representam mais de metade dos lugares nas Nações Unidas. Quando nos juntamos, podemos ser um motor para a mudança”.

No discurso, Michel referiu que acredita que é possível enfrentar a pandemia provocada pelo novo coronavírus, mas para isso o multilateralismo será “a melhor linha de defesa”.

“A solidariedade deve estar na base desta resposta conjunta. Não uma solidariedade baseada numa limpeza de consciência, não uma solidariedade de palavras, mas uma solidariedade em ações — tangível e real. Tanto durante a crise, como amanhã, enquanto construímos uma sociedade mais atenciosa”, apontou.

Mas, para isso acontecer, Charles Michel disse que é preciso derrotar o novo coronavírus em todo o mundo.

“Temos de derrotar o vírus. Enquanto o vírus estiver em algum lugar, temos de agir como estivesse em todo o lado. Desde Bruxelas a Vanuatu, desde Adis Abeba a Port-au-Prince”, frisou.

O presidente do Conselho Europeu defendeu a existência de esforços para o alívio das dívidas dos países afetados e que irá “defender de forma incansável tal ação perante o G7, o G20 e outros parceiros internacionais”.

Chalres Michel considerou que a pandemia de covid-19 destaca a importância do multilateralismo e “pode ser um tempo de reinvestir” no que os liga.

“Os Estados de África, Caraíbas e Pacífico estão investidos nesta cooperação, e a reunião de hoje é prova disso. Não há opção mais clara para a União Europeia que estar do seu lado”, assinalou.

Para um cenário pós-coronavírus, que acredita que irá apenas ser atingido após o desenvolvimento de vacinas, tratamentos e formas de diagnóstico, Charles Michel advogou que é importante tomar decisões e pensar nas gerações mais novas.

“O mundo depois da COVID-19 não será uma cópia do que era antes. Isso não é possível nem desejável. Devemos mostrar mais solidariedade e mais respeito pelo planeta, e usar as tecnologias digitais de forma responsável, para o bem da humanidade”, defendeu.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de COVID-19 já provocou mais de 380 mil mortos e infetou quase 6,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,7 milhões de doentes foram considerados curados.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), paralisando setores inteiros da economia mundial, num “grande confinamento” que vários países já começaram a aliviar face à diminuição dos novos contágios.

O “Grande Confinamento” levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 3% em 2020, arrastada por uma contração de 5,9% nos Estados Unidos, de 7,5% na zona euro e de 5,2% no Japão.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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