Entre as 225 personalidades figuram os ex-presidentes brasileiro Fernando Henrique Cardoso, o moçambicano Joaquim Chissano e o timorense José Ramos Horta, os ex-primeiros-ministros britânicos Gordon Brown e Tony Blair e espanhol Felipe González, o ex-secretário-geral da ONU Ban Ki-moon e a conselheira de Estado de Moçambique Graça Machel, viúva de Nelson Mandela.

Numa carta divulgada hoje, os signatários pedem ao grupo das 20 maiores economias mundiais que não espere pela cimeira prevista para novembro e realize uma cimeira de crise para desenhar um plano de recuperação destinado especialmente aos países em desenvolvimento.

“Sem ação do G20, a recessão provocada pela pandemia só vai agravar-se, afetando todas as economias e os povos e nações mais marginalizados e mais pobres do mundo”, escrevem na carta personalidades como o economista Josepg Stiglitz, o investidor George Soros ou o ex-comissário da ONU para os Direitos Humanos Zeid Raad al-Hussein.

Na carta, frisam que os países de rendimento baixo ou médio representam quase 70% da população mundial e aproximadamente um terço do produto bruto global, defendendo que é necessária uma ação imediata.

Sustentam que o G20, atualmente liderado pela Arábia Saudita, representa 85% do PIB nominal do mundo, tendo por isso “a capacidade para liderar a mobilização de recursos na escala exigida”.

“Instamos os líderes a fazê-lo imediatamente”, afirmam.

Entre os signatários figuram mais de 75 antigos dirigentes políticos, três Nobel da Paz, quatro Nobel da Economia, entre personalidades e organizações da política, da economia, da ciência e da sociedade civil.

O G20, que começou a reunir-se durante a crise financeira de 2008, mantém desde então cimeiras regulares, tendo a próxima agendada para novembro, em Riade, capital da Arábia Saudita.

No princípio de março, o secretário-geral da ONU, António Guterres, instou os líderes do G20 a adotarem um plano de estímulo “da ordem dos biliões de dólares” para a recuperação económica e social pós-pandemia.

A 26 de março, os líderes do G20 prometeram injetar mais de cinco biliões de dólares na economia mundial para compensar a perda de empregos e de rendimento.

O G20 é constituído pela União Europeia (UE) e 19 países: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia.

Na carta, é destacado que “a 30 de maio registou-se o número diário mais alto em todo o mundo de novos casos de covid-19”, numa altura em que, desde que foi notificado o primeiro caso, em dezembro, na China, o novo vírus SARS-CoV-2 já infetou cerca de seis milhões de pessoas em todo o mundo, mais de 372 mil das quais morreram.

Os signatários destacam que o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que os mercados emergentes e países em desenvolvimento vão precisar de 2,5 biliões para ultrapassar a crise, mas que “apenas uma fração desses 2,5 biliões foi disponibilizada”.

“O G20 deve chegar a acordo para que um apoio de 2,5 biliões seja disponibilizado agora”, escrevem.

Apelam para a duplicação da verba do Banco Mundial para ajuda económica de emergência e para a dotação de mais 1 bilião para os direitos especiais de saque do FMI.

Defendem ainda que o alívio da dívida para 76 países decidido em abril pelo G20 – incluindo 40 países pobres da África subsaariana – “deve ser radicalmente elevado para incluir credores bilaterais, multilaterais e privados até ao final de 2021”.

Pedem ainda uma coordenação internacional para desenvolver e fabricar uma vacina, que esteja disponível a custo zero o mais rapidamente possível.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.