O presidente da República, Jair Bolsonaro, confirmou nesta terça-feira (7) que contraiu covid-19. O exame feito ontem deu resultado positivo, afirmou.

Ele afirmou que suspendeu sua agenda e vai trabalhar por meio de videoconferências do Palácio do Alvorada.

“Estou perfeitamente bem. As medidas que estou tomando são para evitar contaminação de terceiros”, afirmou.

Bolsonaro olha para baixo de máscara, cercado por assessores, em área externa
"O fato de eu ter sido contaminado mostra que eu sou um ser humano contra outro qualquer", afirmou o presidente Bolsonaro. créditos: REUTERS/Adriano Machado

Bolsonaro disse a jornalistas que está se tratando com hidroxicloroquina, substância considerada controverso para esse fim, já que não há comprovação científica de sua eficácia no caso de covid-19 e a susbstância pode causar efeitos colaterais graves.

Bolsonaro disse que tomou uma primeira dose ontem de noite, às 17h, e outra nesta manhã, às 5h.

“Estou muito bem, estou até com vontade de dar uma caminhada por aqui (no Palácio do Alvorada). Não vou fazer por recomendação médica”, disse.

“Credito isso aí não só ao atendimento que tive dos médicos, mas pela forma como ministraram hidroxicloroquina. A reação foi imediata. Poucas horas depois já tava me sentindo muito bem”, afirmou ainda.

Sintomas e agenda intensa

O presidente relatou que começou a se sentir mal no domingo e chegou a ter 38 graus de febre na segunda. Nesta terça, sua temperatura já recuou para menos de 37 graus.

“Mal estar, cansaço, um pouco de dor muscular”, relatou, sobre sintomas que apresentou ontem..

“Quanto a repouso, isso é particular meu. Eu não sei ficar parado. Vou ficar despachando por vídeo conferência”, afirmou o presidente, que diz estar se sentindo “impaciente”. “Eu estou impaciente, mas vou seguir os protocolos. O cuidado mais importante é com seus entes queridos, os mais idosos. os outros também, mas não precisa entrar em pânico. A vida continua”, afirmou.

Bolsonaro disse ainda que achava já ter sido contaminado antes pelo coronavírus, devido à “agenda intensa” que tem mantido, a despeito das orientações de epidemiologistas para que as pessoas mantenham o isolamento social.

Jair Bolsonaro
"Ao ser questionado se o país deveria flexibilizar as regras de quarentena, Bolsonaro disse que cuidados devem ser focados na população mais velha e com comorbidades". créditos: © Isac Nóbrega/Editor VV/Agência Brasil

O presidente afirmou que acreditava na possibilidade de ter contraído covid-19, sem apresentar sintomas.

“Eu achava que já tinha pego lá atrás, tendo em vista a minha atividade muito dinâmica perante a população. Eu sou o Presidente da Repúblico e estou na frente de combate. Eu não fujo a minha responsabilidade, nem me afasto do povo”, afirmou.

“O fato de eu ter sido contaminado mostra que eu sou um ser humano contra outro qualquer”, disse ainda.

As primeiras suspeitas de que ele poderia ter se contaminado surgiram em março, quando Bolsonaro retornou de uma viagem oficial aos Estados Unidos e diversos integrantes da comitiva ficaram doentes.

Na ocasião, o presidente realizou exames que deram negativo. Esses resultados só foram oficialmente divulgados após decisão judicial.

Ao ser questionado se o país deveria flexibilizar as regras de quarentena, Bolsonaro disse que cuidados devem ser focados na população mais velha e com comorbidades.

Além de exaltar o uso da hidroxicloroquina, o presidente também voltou a repetir outras declarações sem qualquer comprovação em dados científicos, como a ideia de que o coronavírus “se dá melhor (tem maior taxa de contágio) em climas mais frios”.

Contrariando a fala de Bolsonaro, cidades de clima quente do Brasil, como Manaus e Fortaleza, enfrentaram forte transmissão do cornavírus nos primeiros meses da circulação da doença no país.

“Responsabilidade dos governadores e prefeitos”

Ao ser questionado sobre as medidas de isolamento no Brasil em relação a outros países, Bolsonaro disse que cada Estado definiu suas próprias regras.

“Primeiro que essa política passou a ser privativa dos governadores e prefeitos. O presidente nada pode interferir. Se ela vai bem ou mal a responsabilidade é dos prefeitos e governadores”, disse em entrevista à CNN Brasil.

“O mundo todo foi unânime em dizer que o objetivo das medidas de isolamento, a intenção, não era evitar a contaminação. Mas que elas pudessem ser num período mais largo para não sobrecarregar o sistema de saúde”, afirmou.

Histórico de testes e suspeitas da doença

Testes do presidente para o novo coronavírus realizados em 13 de maio haviam dado negativo. Os exames, à época, vieram a público após uma longa queda de braço entre o Planalto e o jornal O Estado de S. Paulo, que acionou a Justiça para ter acesso aos testes de covid-19 feitos pelo presidente e, após perder no STJ, levou o caso até o Supremo.

O relator do pedido, o ministro Ricardo Lewandowski, determinou que os exames – enviados para ele pela AGU na terça à noite – fossem juntados ao processo, que é público.

Uma semana antes, em 9 de maio, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio Noronha, havia suspendido a decisão que obrigava o presidente Bolsonaro a entregar laudos de exames para detectar se ele foi infectado pelo coronavírus.

No dia 12 de março, o governo informou que secretário de Comunicação Social da Presidência, Fábio Wajngarten, havia testado positivo para coronavírus e que estava em quarentena em casa.

O teste positivo ocorreu depois de Wanjgarten retornar de viagem com Bolsonaro e comitiva para a Flórida, nos Estados Unidos. Além do contato com o presidente brasileiro, Wajngarten tirou foto ao lado do presidente americano, Donald Trump, e do vice Mike Pence.

A emissora americana Fox News, alinhada à direita nos Estados Unidos, divulgou a informação de que o teste de Bolsonaro para coronavírus tinha dado positivo. Horas depois, no dia 13 de março, Bolsonaro disse que o teste dele para coronavírus tinha dado negativo.

Numa rede social, correspondente-chefe da Fox News na Casa Branca, John Roberts, escreveu que “o filho de Bolsonaro disse à Fox News que o teste preliminar para coronavírus em seu pai deu positivo. Eles aguardam resultados de um segundo teste”.

Eduardo Bolsonaro publicou a seguinte mensagem: “Jamais falei com alguém da imprensa que testes do presidente @jairbolsonaro tenham dado positivo, jamais. Até porque essa informação jamais chegou para mim. A única informação que tenho é que PR @jairbolsonaro, Min. @gen_heleno e eu testamos negativo para coronavírus”.


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