De 2 a 13 de Dezembro, Madrid acolhe a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP25). Em quatro semanas, Espanha teve de preparar aquilo que normalmente o anfitrião da COP prepara num ano. O Chile abdicou da realização da cimeira devido à forte contestação social que atravessa o país e Madrid decidiu abrir as portas ao clima. Um verdadeiro esforço de gigantes para reorientar perto de 30 mil pessoas de Santiago para Madrid.

Aos 196 países que se reunirão na capital espanhola, a partir desta segunda-feira e durante duas semanas, o esforço que se lhes pede é bem mais elevado. É preciso acelerar a luta contra a crise climática num momento em que os fenómenos meteorológicos extremos se multiplicam e as emissões de CO2 continuam a aumentar.

Os estados nunca estiveram tão longe dos seus objectivos. Na última década, as emissões de gases com efeito de estufa aumentaram 1,5% por ano. No ano passado bateram recordes. E não há sinais que façam pensar que os estados vão mudar de trajectória. Os compromissos assumidos pelos estados signatários do Acordo de Paris são insuficientes. As ambições firmadas na COP 21 colocam o planeta no caminho do aquecimento de 3,2°C até ao fim do século, bem longe dos 2°C, ou se possível dos 1,5°C, previsto por Paris.

Há uma discrepância gigante entre a crise climática e as respostas dos estados, dizem os analistas que reafirmam a necessidade dos países reverem em alta as ambições.

Até ao final de 2020 os estados devem rever as suas ambições. A COP de Madrid deverá acelerar este processo que culminará na COP26 em Glasgow (Escócia). Até ao momento apenas as ilhas Marshall apresentaram a sua proposta. Outros 68 países estão motivados para aumentar os seus esforços, mas apenas representam 7% das emissões de CO2.

Os países do G20, que representam 80% das emissões globais, demoram a assumir as suas responsabilidades. Há ainda alguns países, como o Japão, que já falam em não rever em as ambições.
A esta situação acrescentam-se os Estados Unidos da América de Donald Trump que, em Novembro, formalizaram a retirada oficial do Acordo de Paris. O Brasil de Jair Bolsonaro que foi o primeiro a recusar receber a COP 25 e a Austrália do conservador Scott Morrison. Países que não se fizeram representar na cimeira especial da ONU sobre o clima que aconteceu em Setembro.

Perto de cinquenta chefes de Estado e de Governo vão assistir à abertura da cimeira esta segunda-feira. Os ambientalistas pedem à Europa (terceiro maior poluidor mundial, depois da China e EUA) que acolhe pelo terceiro ano consecutivo o evento (COP23 Bona, COP24 Katowice, COP 25 Madrid) que envie um sinal forte ao mundo para criar um efeito de mobilização.

Ursula von der Leyen, a nova presidente da Comissão Europeia, prometeu a neutralidade carbónica da Europa em 2050 e pretende uma redução dos gases com efeito de estufa da União Europeia de 50% a 55% até 2030. Objectivos que constam do “Acordo Verde Europeu” e que Ursula von der Leyen irá apresentar dia 11 de Dezembro na véspera de um Conselho Europeu e na recta final da COP.

Até ao momento, 24 países europeus apoiam a neutralidade carbónica e três opõem-se: Polónia, República Checa e Hungria.

O que está em jogo na COP25 em Madrid?

Em primeiro lugar, os delegados têm a difícil tarefa de finalizar as regras de aplicação do Acordo de Paris. É preciso desbloquear o artigo 6, que ficou suspenso na COP24 devido ao bloqueio do Brasil. Trata-se de uma questão delicada e controversa. Diz respeito à definição das novas regras para o mercado de carbono. Isto é, a troca de emissões de CO2, o que permite aos países menos poluentes de vender as quotas aos mais poluentes.

O segundo dossier desta COP é a pasta das “perdas e prejuízos”, as consequências irreversíveis das alterações climáticas. Efeitos que têm vindo a aumentar. Os países mais afectados querem que o Mecanismo de Varsóvia tenha acesso a um fundo financeiro, os países desenvolvidos não querem ouvir falar da criação de novos fundos.

A questão do financiamento é recorrente na Conferência das Partes e é o “calcanhar de Aquiles” das negociações, uma vez que uma percentagem muito baixa serve para a adaptação às alterações climáticas e a grande parte do bolo fica para a redução das emissões.

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