"A curto prazo, a tempestade vai ter dois efeitos no conflito na província de Cabo Delgado", onde decorre a maior parte das explorações de gás natural pelas empresas internacionais, disse Robert Besseling à Lusa.

"Se o Governo não conseguir dar abrigo às pessoas de Ibo, elas serão obrigadas a ir mais para o interior, onde ficariam mais vulneráveis a ataques ou acções de recrutamento por parte dos rebeldes", explicou o analista.

Por outro lado, acrescenta, "com as plantações de cereais em Macomia e Quissanga destruídas e a serem substituídas por alimentos doados pela ajuda internacional, a tradicional forma de aquisição de alimentos por parte dos insurgentes, que é obrigar os civis a darem uma parte da sua colheita ou recorrer a plantações próprias, ficou bloqueada, o que aumenta a probabilidade de atacarem os distribuidores locais de ajuda internacional".

Robert Besseling diz que "é difícil colocar um número no aumento da probabilidade destes ataques sem saber as reservas alimentares" que os terroristas têm, mas alerta que "as fontes locais da EXX Africa avisam que os distribuidores devem ter cuidado, nos próximos meses, quando viajarem sem escolta para locais dominados pelos rebeldes".

Para além disto, conclui, "este risco para os distribuidores de ajuda vai aumentar se um dos resultados da tempestade for a concentração de muitas pessoas num só local", o que as torna mais vulneráveis.

O ciclone Kenneth, que atingiu o norte de Moçambique e o sul da Tanzânia na semana passada, destruiu milhares de casas e desalojou dezenas de milhares de pessoas, sendo esperado que resulte em mais inundações.

O governo confirmou pelo menos 41 mortes e 39 feridos até agora e adiantou que o ciclone afetou 35.228 famílias no norte do país, tendo destruído parcialmente 32 mil casas e duas mil completamente, além de ter devastado 31 mil hectares.

A estas juntam-se mais seis mortes devido ao desabamento de parte da lixeira municipal de Pemba, no norte do país, devido às chuvas torrenciais associadas ao ciclone.

O ciclone Kenneth foi classificado com a categoria quatro, a segunda mais grave, com ventos contínuos de 225 quilómetros por hora e rajadas de 270 quilómetros por hora, segundo a agência das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitário (OCHA, na sigla em inglês).

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