"Não há razão para tal. Se escolhem apenas os muçulmanos, sendo o Estado laico e não fazer com outras religiões, consideramos um tratamento discriminatório", disse à Lusa o 'sheik' Aminuddin Muhammad, presidente do Cislamo.

Os Serviços de Informação e Segurança do Estado de Moçambique (SISE) pediram ao governo da cidade de Maputo para mapear mesquitas, na sequência da violência armada que assola a província de Cabo Delgado, zona com forte influência islâmica.

A ação, que continua, foi motivada pelo aumento exponencial de confissões e seitas religiosas em Moçambique, um fenómeno que tem sido acompanhado por práticas consideradas ilegais e inconstitucionais.

O presidente do Cislamo diz não estarem claras as razões poe detrás do levantamento das mesquitas da capital do país.

Os "muçulmanos não podem ser tratados dessa maneira, porque a violência praticada por algumas pessoas, por serem ignorantes, não tem nada a ver com religião", acrescentou.

Aminuddin Muhammad disse ainda que o Governo moçambicano deve olhar para os muçulmanos como "parceiros" no seu trabalho.

"É nas mesquitas onde as pessoas aprendem que não devem praticar crime, assassinar, mentir, insultar, trair, isso são coisas que vão de encontro de uma boa governação", acrescentou.

O Cislamo diz que espera um contacto oficial para uma explicação dos fundamentos do levantamento, para que a organização possa "apresentar os seus argumentos", porque até agora apenas "ouviu de fora".

A província de Cabo Delgado, norte do país, palco de uma intensa atividade de multinacionais petrolíferas que se preparam para extrair gás natural, tem sido alvo de ataques de homens armados desde outubro de 2017 e que já provocaram mais de uma centena de mortos e feridos.

O Governo moçambicano tem apresentado versões contraditórias sobre a violência na região, tendo apontado motivações religiosas associadas ao islamismo em vários momentos, mas também a relacionada com garimpeiros.

Recentemente, um suposto ramo do Estado Islâmico reivindicou ter matado vários militares moçambicanos em Cabo Delgado durante um confronto, mas essa ação nunca foi confirmada pelas autoridades.

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