"A campanha do CIP não nos leva a lado nenhum. Ela conduz-nos, talvez, a um precipício político que, aliás, é a intenção daquela instituição", refere Fernando Faustino, secretário-geral da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLIN), órgão social da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, em declarações ao jornal Notícias de hoje.

O dirigente refere que os moçambicanos devem "dizer ‘não' à campanha de desordem", acusando o CIP de servir interesses "alheios à nação", de ter interesses políticos e pretender manchar as instituições públicas em ano de eleições, acrescentando: "estejamos atentos à atuação do inimigo".

Fernando Faustino refere que o caso das dívidas ocultas deve ser um assunto reservado apenas ao foro judicial.

"Deixemos a Procuradoria-Geral da República (PGR) trabalhar, deixemos as outras instituições de justiça fazer o seu trabalho. Não nos precipitemos com manifestações e não aceitemos ser usados, porque nada ganharemos com isso", acrescentou.

O CIP, organização da sociedade civil moçambicana, começou na sexta-feira a distribuir ‘t-shirts' com a inscrição "Eu não pago as dívidas ocultas", convidando à gravação de vídeos, envergando-as e com mensagens contra a inclusão das dívidas nas contas públicas.

Na segunda-feira, a polícia posicionou-se nas proximidades da sede da organização, mandando despir a camisola a quem a vestia, alegando que promovem a desordem pública - uma ação contestada pelo CIP, que considera estarem a ser violados direitos e liberdades cívicas.

Segundo a organização, mil camisolas já foram distribuídas, esgotando o lote inicial disponível, e inúmeras mensagens de apoio à iniciativa estão a circular nas redes sociais, algumas das quais gravadas por figuras públicas.

Está previsto que outros parceiros se associem à iniciativa para a campanha ganhar dimensão nacional.

O ex-ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang, três ex-banqueiros do Credit Suisse e um intermediário da Privinvest foram detidos em diferentes países desde 29 de Dezembro a pedido da justiça norte-americana.

De acordo com a acusação, as dívidas ocultas garantidas pelo Estado entre 2013 e 2014 para três empresas de pesca e segurança marítima terão servido de base para um esquema de corrupção e branqueamento de capitais com vista ao enriquecimento de vários suspeitos.

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