"Fazendo o balanço destes dois dias, podemos dizer desde já que este evento abriu, de facto, uma nova página nas relações da Rússia e os Estados do continente africano", disse Vladimir Putin no final da primeira cimeira Rússia-África. Um encontro que reuniu, na cidade russa de Sochi, mais de 40 chefes de Estado e de Governo de países africanos.

E para que esta nova página comece a ser reescrita, o Presidente russo fez saber que a cimeira Rússia- África é para continuar e passará a realizar-se de três em três anos. Nos próximos cinco anos, a Rússia espera que as trocas comerciais com o continente africano cheguem aos 40 mil milhões de dólares.

Um objetivo ambicioso, diz Olga Kulkova, investigadora do Instituto de Estudos Africanos da Academia de Ciências da Rússia: "A Rússia quer encontrar o seu nicho e a sua direção com parcerias em África. O objetivo é ambicioso: nos próximos cinco anos, o volume do comércio deverá duplicar de 20 mil milhões de dólares americanos (2018) para 40 mil milhões."

Com vista ao cumprimento desta meta, foram assinados, durante a Cimeira, acordos de cooperação em várias áreas. Em matéria nuclear, a Rússia acordou com a Etiópia a construção de uma central nuclear e, com o Ruanda, a construção de um centro de investigação.

Venda de armas vai continuar

A venda de armamento a países africanos continuará a ser uma aposta de Vladimir Putin. O que não surpreende, uma vez que África representa, atualmente, 40% do volume das vendas de armas e equipamentos militares deste país.

"Atualmente, contamos com cerca de 12 mil milhões de dólares em contratos assinados e já pagos. Vinte países africanos estão atualmente a cooperar connosco", confirma Alexandre Mikheev, presidente da empresa pública de venda de armamento da Rússia, Rosoboronexport.

Entre estes 20 países estão Angola e Moçambique. Alguns analistas dizem que Moscovo tem sabido usar habilmente o seu conhecimento em segurança e a sua influência no que toca à exportação de armas para o país para ganhar terreno na política e economia do continente.

No final dos dois dias de conversações na cidade de Sochi, foram vários os líderes africanos que se mostraram satisfeitos e esperançosos com o aumento do investimento da Rússia no continente africano.

Amigos de longa data

O Presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, foi um deles."Podemos aprender muito com a experiência das reformas em curso na Rússia com vista à transição de uma economia dependente do petróleo para uma economia moderna, diversificada e inclusiva", declarou.

Também Cyril Ramaphosa, Presidente da África do Sul, se mostrou confiante. "É nossa esperança que esta cimeira abra o novo e promissor capítulo sobre as relações entre a Federação Russa e o continente africano. O povo russo é nosso amigo de longa data, apoiou as nossas lutas pela libertação e independência", disse.

Na primeira cimeira Rússia-África, esteve também em destaque a exploração de recursos minerais. Neste domínio foram assinados acordos com o Ruanda, o Sudão do Sul e a Guiné Equatorial. Segundo o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, empresários russos também manifestaram interesse em investir no setor dos recursos minerais e nos transportes.

Ainda na quinta-feira (24.10), Vladimir Putin ofereceu-se para mediar o impasse para a construção da barragem no Nilo que, nos últimos dias, tem feito aumentar a tensão entre o Egito e a Etiópia.

por:content_author: rl, Agência Lusa, AFP, Reuters

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