O anúncio foi feito hoje pelo ministro das Relações Exteriores angolano, Manuel Augusto, durante um encontro com os jornalistas, que pretende realizar todos os meses, sobre a participação de Angola na cimeira, cuja delegação será chefiada pelo Presidente angolano, João Lourenço.

O "23 de março" marca a data da batalha do Cuito Cuanavale, na província do Cuando Cubango (sul de Angola), o maior conflito militar da guerra civil angolana, que decorreu entre 15 de novembro de 1987 e aquele dia de 1988, que opôs os exércitos das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), apoiados por Cuba, e da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), com apoio da África do Sul.

O fim da batalha marcou um ponto de viragem decisivo na guerra, incentivando paralelamente um acordo entre sul-africanos e cubanos para a retirada de tropas e a assinatura dos Acordos de Nova Iorque, que deram origem à implementação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, levando à independência da Namíbia e ao fim do regime de segregação racial, que vigorava na África do Sul.

"Trata-se de uma ocasião histórica, pois é o reconhecimento dos heróis da batalha, uma homenagem aos povos que lutaram pela independência em África e ao que levou a que acontecesse na África Austral", sobretudo na Namíbia e na África do Sul, salientou o chefe da diplomacia angolana.

Na cimeira, que decorrerá na capital da Namíbia, Angola também vai propor a criação do Parlamento Regional da África Austral, que substituirá o Fórum Parlamentar da SADC, trabalho feito pelo Presidente da Assembleia Nacional (AN) angolana, Fernando Piedade Dias dos Santos.

"Temos grandes expectativas em relação às duas propostas", acrescentou, lembrando que será a primeira vez que, enquanto chefe de Estado de Angola, João Lourenço irá participar na cimeira da SADC, cujos preparativos estão a decorrer em Luanda, com a reunião do Comité Permanente dos Altos Funcionários da organização.

Nos trabalhos, entretanto, o diretor-geral do Departamento de Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, K. E. Mahoai, passou a presidência rotativa deste órgão à secretária permanente do Ministério das Relações Internacionais e Cooperação da Namíbia, Selma Ashipala-Musawi.

A reunião do Conselho de Ministros da comunidade, em que Manuel Augusto estará presente, decorrerá na próxima segunda-feira, altura também em que se procederá à transferência da presidência do Conselho de Ministros da SADC de Lindiwe Sisulu, ministra das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, para Natumbo Nandi-Ndaitwa, ministra das Relações Internacionais e Cooperação da Namíbia.

A SADC foi criada a 17 de outubro de 1992 e integra Angola, Moçambique, África do Sul, Botsuana, República Democrática do Congo, Lesoto, Madagáscar, Malawi, Maurícia, Namíbia, Seychelles, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué.