A maioria, 37.503 das famílias beneficiárias, está na província de Sofala, assolada pelo Idai, e as restantes 15.640 em Cabo Delgado, região atingida pelo Kenneth.

As intervenções planeadas em Sofala foram apresentadas nesta semana durante reuniões com autoridades de nível distrital representam 3,1 milhões de dólares (2,6 milhões de euros) no âmbito do Programa de Recuperação de Moçambique (MRF), com implementação do PNUD e apoio financeiro da União Europeia, Canadá, China, Finlândia, Índia, Noruega e Holanda.

“O mecanismo de recuperação terá intervenções em Moçambique durante cinco anos e as atividades apresentadas nas reuniões desta semana arrancam no terreno ainda este ano, com o objetivo de acelerar a recuperação resiliente das famílias mais afetadas", referiu Ghulam Sherani, coordenador do Mecanismo de Recuperação no PNUD em Moçambique, citado em comunicado.

Os beneficiários são "deslocados em locais de reassentamento ou em comunidades anfitriãs identificados com o apoio das autoridades locais".

"Muitos desses grupos vivem numa situação vulnerável", agravada com "os impactos da crise provocada pela Covid-19”, acrescentou.

Na prática, o programa assenta em apoio às pessoas mais afetadas por mudanças a longo prazo, pelo que algumas das atividades a implementar consistem "na formação de grupos de poupança e microcrédito, fornecimento de 'kits' de arranque para novas pequenas empresas e formação".

Haverá também atividades de mão-de-obra intensiva para reabilitação de infraestruturas sociais "com a participação ativa das comunidades, para que estejam melhor preparados para eventuais futuros desastres".

Sherani destacou que dois outros componentes do Mecanismo de Recuperação de Moçambique se referem à construção e reabilitação de casas comunitárias e edifícios públicos (Pilar 2 do programa) e o fortalecimento institucional do gabinete de reconstrução (Pilar3).

“As atividades sob esses pilares estão a ser desenvolvidas e implementadas em paralelo: 471 casas serão construídas em 2020" com materiais tradicionais e "outras 600 serão reabilitadas, este ano, em Sofala".

Na província de Cabo Delgado, região mais afetada pelo ciclone Kenneth, o PNUD iniciou intervenções em julho com o objetivo de recuperar os meios de subsistência e a economia de 15.640 famílias afetadas que vivem em locais de reassentamento ou com comunidades anfitriãs.

O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas de dois ciclones (Idai e Kenneth) que se abateram sobre Moçambique.

O ciclone Idai atingiu o cento de Moçambique em março, provocou 603 mortos e a cidade da Beira, uma das principais do país, foi severamente afetada.

O ciclone Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em abril, matou 45 pessoas.

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