"Os resultados da auditoria serão divulgados agora no mês de maio e em junho", afirmou João Machatine, na Assembleia da República, numa sessão de respostas do Governo a questões colocadas pelos deputados.

Uma segunda auditoria às contas do apoio internacional e nacional vai decorrer entre julho e dezembro, acrescentou o governante.

"Como podem calcular, é também do interesse do Governo que haja mais transparência naquilo que é a utilização destes recursos", frisou João Machatine.

O executivo, prosseguiu, quer também prestar contas à população moçambicana e à comunidade internacional, dando informação sobre o que está a acontecer no terreno, em termos de assistência humanitária e reconstrução de infraestruturas.

Sobre a conferência internacional de doadores, que se realizou entre 31 de maio e 01 de junho de 2019, para a mobilização de recursos visando a reconstrução, João Machatine adiantou que apenas foram assinados acordos de desembolso no valor de 706, 5 milhões de dólares (651,4 milhões de euros), dos 1,4 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros) que foram prometidos .

O Governo levou à conferência um pedido de ajuda no valor de cerca de 3,2 mil milhões de dólares (2,95 mil milhões de euros), mas obteve promessa de apoio no valor de 1,2 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de euros), acrescidos de 200 milhões de dólares (184 milhões de euros) em promessa feita após a reunião.

Prevalece um défice de cerca de 1,6 mil milhões de dólares (1,47 milhão de euros).

O ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos assinalou que as promessas dos parceiros internacionais não têm impedido que o Governo avance com a reconstrução de infraestruturas sociais e económicas destruídas pelos ciclones.

"Olhámos para trás e dizemos que houve uma realização tangível", declarou Machatine, realçando depois a grande magnitude dos estragos provocados pelos ciclones.

"Vale a pena recordar que estamos a falar de 1,6 milhão de pessoas que ficaram afetadas e deste número 290 mil famílias perderam parcial ou totalmente as suas habitações. Não é num ano que se consegue responder a este universo de destruição", salientou João Machatine.

O ministro referiu que a reconstrução vai levar cinco anos, com base em avaliações de especialistas.

O Idai atingiu o centro do país em março do último ano, provocou 603 mortos e a cidade da Beira, uma das principais do país, foi severamente afetada.

O ciclone Kenneth causou destruição em Cabo Delgado e Nampula no mês de abril de 2019, e fez 45 mortos.​​​​​​​

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