A agência noticiosa oficial Xinhua informou hoje que o ministro indiano dos Negócios Estrangeiros, Subrahmanyam Jaishankar, disse que Pequim espera que a Índia "desempenhe um papel construtivo na paz e estabilidade regional".

A Xinhua citou Jaishankar a afirmar que a Índia "respeitará o consenso alcançado com a China sobre a manutenção da paz na fronteira e continuará a trabalhar com a China para resolver adequadamente a questão das fronteiras por meio de consultas".

China e Índia, ambas potências nucleares, partilham uma fronteira com 3.500 quilómetros de extensão, a maioria contestada. Diferendos territoriais levaram a um conflito, em 1962, que causou milhares de mortos.

Em 2017, as forças armadas de ambos entraram num impasse de 10 semanas, no estado vizinho do Butão.

A China reivindica cerca de 90.000 quilómetros quadrados de território no nordeste da Índia, enquanto Nova Deli acusa a China de ocupar 38.000 quilómetros quadrados do seu território no planalto de Aksai Chin, no oeste dos Himalaias, incluindo a região de Ladakh, que Nova Deli tornou, este mês, num território separado do resto da Caxemira.

A visita à China do ministro indiano ocorre pouco depois do homólogo do Paquistão -principal rival da Índia e um aliado próximo da China -, ter também visitado Pequim.

O Paquistão procura apoio chinês na abertura de um inquérito das Nações Unidas sobre a revogação pela Índia da autonomia da Caxemira e a sua divisão em dois territórios federais: Jammu e Caxemira e Ladakh.

As autoridades indianas argumentam que o estatuto especial da Caxemira cultivou um sentimento separatista, suscetível de ser explorado pelo Paquistão, e que estava a atrasar o desenvolvimento económico da região.

A agência noticiosa indiana Press Trust of India informou que Jaishankar disse ao homólogo chinês, Wang Yi, que as medidas legais em relação à Caxemira são questões "internas" da Índia, que não dizem respeito à China.

O ministro também reuniu com o vice-presidente chinês, Wang Qishan, um dos principais assessores do Presidente da China, Xi Jinping, para questões económicas e de política externa.

A Caxemira indiana está sob um bloqueio de segurança sem precedentes, para evitar a agitação social, após o anúncio das decisões.

A região dos Himalaias é reivindicada na íntegra pelo Paquistão e pela Índia e dividida entre ambas as nações.

O Paquistão revelou que está a considerar uma proposta para abrir processo no Tribunal Internacional de Justiça contra a decisão da Índia.

Islamabad, que já travou três guerras contra a Índia, duas das quais por causa de Caxemira, considerou ilegal a decisão e, na quarta-feira, expulsou o embaixador indiano e pôs fim ao comércio bilateral.

Na quinta-feira, a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, esteve em contacto, via telefone, com os seus homólogos da Índia e do Paquistão, defendendo "uma solução política bilateral".

Caxemira é dividida entre a Índia e o Paquistão, duas potências nucleares que já travaram duas guerras pelo domínio daquele estado.

Os dois países disputam a região montanhosa na totalidade, desde a partição subcontinente, em 1947, no final da época colonial britânica.

Diferentes grupos separatistas combatem, há várias décadas, a presença de cerca de 500 mil soldados indianos na região, para exigir a independência do território ou a integração no Paquistão.

Dezenas de milhares de pessoas, na grande maioria civis, morreram no conflito.

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