Os factos apurados no terreno contradizem as declarações do réu Zófimo Muiuane, segundo as quais o casal teria tido uma discussão, no meio da qual sua esposa tirou uma arma de fogo do tipo pistola do coldre na sua cintura e, na tentativa de arrancar, a arma disparou-se acidentalmente acabando por matá-la.

Macuiane esteve na inspecção ao local dos factos duas semanas depois do crime e participou também na reconstrução dos factos, a pedido do juiz de instrução preparatória.

Segundo o perito, os vestígios encontrados no local dão a certeza de que foram efectuados dois disparos, os mesmos que foi possível notar no corpo da vítima.

Disse à 10ª Secção do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo ser “inconcebível” que a vítima tenha optado por usar a arma do réu em vez da sua, porque a mesma estava na sua bolsa e em condições de efectuar disparo.

Ademais, o especialista entende que a vítima poderia ter usado a própria arma, se quisesse intentar uma investida contra o esposo, porque ela levava vantagem pelo facto de estar atrás do réu (disse o próprio réu).

Imagens da reconstrução dos factos, referidas pelo perito, uma vez que o cano da arma estava virado para a vítima e as mãos da mesma tinham sido envolvidas pelas do réu e o dedo da vítima no “guarda-mato”, ao se realizar o primeiro disparo, a vítima não poderia ter efectuado o segundo, porque poderia ter sido automaticamente imobilizada pelo primeiro tiro.

O especialista em balística afasta igualmente a possibilidade de o réu ter esquivado uma bala disparada pela vítima, depois de ouvir o som do tiro que atingiu um espelho.

Explicou ainda que, numa distância de 20 centímetros, a probabilidade de o réu ter esquivado a bala é quase nula, pois, à curta distância, dificilmente se falha o alvo.

Segundo as conclusões da perícia, a arma foi o último recurso usado depois de uma disputa, se se tiver em consideração as lesões encontradas na cabeça da vítima e no réu, bem como o orifício de entrada encontrado na parte superior da caixa torácica da vítima.

O orifício, segundo a perícia, dava a entender que a vítima estava numa posição inclinada.

Esta conclusão tem como fundamento a simulação feita pelo réu durante a reconstrução dos factos, pois só na mesma posição seria possível atingir o espelho e a cabeceira.

Com base nestes factos, o perito coloca a possibilidade de os projécteis que atingiram o espelho e a cabeceira serem os mesmos que atingiram a vítima.

Macuiane disse que foi possível identificar a arma do crime a partir os vestígios recolhidos no local, nomeadamente o projéctil e dois fragmentos (que ambos compõem um projéctil) e invólucro de projéctil comparados aos orifícios no corpo da vítima.

A arma identificada é do tipo pistola e de marca Piretro Berta, calibre de 7,65 milímetros. Foram igualmente encontrados dois carregadores do mesmo calibre com uma capacidade para 12 munições cada. Um carregador continha 10 e o outro 11 munições.

A arma encontrada na bolsa da vítima é também do tipo pistola, mas de marca Bowling e calibre 6,35 milímetro, segundo consta do relatório operativo da criminalística.

Os exames feitos pelos médicos legistas ao corpo de Valentina Guebuza já tinham confirmado que ela foi alvejada mortalmente e que ela não havia disparado contra si própria.

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