O fogo não provocou vítimas, foi ateado por desconhecidos depois de espalharem gasolina pelo local e o imóvel ficou parcialmente destruído.

"A primeira reação é de acusar direta e, publicamente, o Presidente Filipe Nyusi e o partido Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique] por esta tragédia", disse Manuel de Araújo aos jornalistas que acorreram à residência, em Quelimane, após o incêndio.

Araújo lidera a lista da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) à assembleia provincial da Zambézia, e a sua declaração de ontem esteve nos noticiários da hora de jantar da televisão pública (TVM) e privada (STV).

"Desde que nós começámos a denunciar a perseguição dos nossos [militantes e simpatizantes] nunca ouvi um único membro do partido Frelimo, incluindo o presidente Nyusi, no mínimo a solidarizar-se com as vítimas da violência", referiu, aludindo e outros casos ocorridos nas últimas semanas.

Confrontado pelo canal privado STV com a posição de Manuel de Araújo, o porta-voz da Frelimo, Caifadine Manasse, rejeitou as alegações, defendendo que o partido no poder não apregoa a violência.

"A Frelimo não faria uma coisa dessas, porque não traz nenhum ganho. Repudiamos o que aconteceu e a atitude de Manuel de Araújo de acusar sem nenhuma prova material", declarou Caifadine Manasse.

O porta-voz da Frelimo acusou ainda Manuel de Araújo de "vitimização", assinalando que o incêndio pode até ter sido provocado por membros da Renamo, no quadro das "convulsões internas" que afetam o partido da oposição.

A polícia afirmou que está a investigar o caso.

Os autores amarraram o guarda da residência e atearam o fogo após terem regado a casa com combustível que traziam em dois bidões de 20 litros cada, segundo uma testemunha que socorreu o vigilante e ouviu o seu relato.

Araújo é um dos autarcas com maior notoriedade em Moçambique e cumpre o terceiro mandato à frente do município de Quelimane, eleito nos dois primeiros como candidato do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceiro partido do parlamento, antes de regressar à Renamo (pelo qual já tinha sido eleito deputado).

No dia 15 de outubro, 12,9 milhões de eleitores vão escolher o Presidente da República, 10 governadores e membros das assembleias provinciais, bem como 250 deputados do parlamento.

A Comissão Nacional de Eleições manifestou ontem preocupação com o nível de violência na campanha eleitoral iniciada em 31 de agosto, instando os partidos a pautarem-se por uma conduta ordeira e pacífica.

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