As dezenas de pesados de mercadorias e autocarros de passageiros ficaram estacionados no cruzamento de Inchope, na província de Manica, bloqueando o trânsito na estrada na N1, a principal via que liga o centro ao norte do país.

“Queremos soluções por parte do Governo, nós estamos a morrer sem justa causa. Estamos com medo de sair daqui”, disse Arlindo Pedro, um dos camionistas entrevistado pela Lusa no local.

O grupo exige uma "ação enérgica" por parte das autoridades moçambicanas, considerando que o Governo não está a dar a devida atenção aos ataques armados no centro de Moçambique.

"Pediram para votarmos, prometendo segurança, e nós votámos. Agora estamos aqui a pedir realmente segurança", afirma Pana Changue, outro camionista, em declarações à Lusa.

A Polícia da República de Moçambique esteve no local para negociar com grupo, em conversações que levaram a manhã inteira, até que no início da tarde o grupo dispersou tomando sentidos diferentes.

"O comandante disse para sairmos daqui porque já há segurança em Gorongosa para podermos passar. Nós aqui sempre tivemos militares, mas mesmo assim continuamos a morrer na estrada", lamentou Pana Changue.

O último ataque na região ocorreu no domingo e, durante o incidente, três pessoas morreram e vários ficaram feridos junto à estrada nacional 1 (EN1), disseram à Lusa testemunhas e autoridades.

Um camião de carga e uma outra viatura ligeira foram atingidos por uma "rajada de balas", disparadas de uma colina, por homens armados ainda desconhecidos, em Ziro, entre os distritos de Nhamatanda e Gorongosa.

O ataque aconteceu numa zona próxima do local onde um polícia foi abatido, e uma viatura de patrulha incendiada na última semana.

Com as baixas registadas no domingo sobe para sete o número de mortos em ataques na zona centro de Moçambique desde agosto.

A polícia supõe que os autores sejam guerrilheiros dissidentes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), chefiadas por Mariano Nhongo, mas este negou o envolvimento do grupo.

A região em que se têm registado os ataques, maioritariamente contra viaturas civis, tem sido palco de incursões armadas contra veículos, desde agosto, que já provocaram vários feridos e sete mortos, segundo dados de autoridades locais.

A zona centro de Moçambique foi historicamente palco de confrontos armados entre forças governamentais e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) até dezembro de 2016, altura em que as armas se calaram, tendo a paz sido selada num acordo subscrito em 06 de agosto.

Permanecem na zona guerrilheiros, em número incerto, que formaram uma autoproclamada Junta Militar para contestar a liderança da Renamo por Ossufo Momade e defender a renegociação do seu desarmamento e reintegração na sociedade.

O grupo de guerrilheiros já ameaçou por mais que uma vez recorrer às armas caso não seja ouvido - mas, por sua vez, também se diz perseguido por outros elementos desconhecidos.

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