"O cenário de ordem e segurança pública em Cabo Delgado continua a ser garantido pelas Forças de Defesa e Segurança", disse o porta-voz da Polícia, Inácio Dina, sem, no entanto, confirmar o último ataque ocorrido no distrito de Nangade, junto à fronteira com a Tanzânia, em que nove pessoas foram mortas.

De acordo com fontes locais ouvidas pela Lusa, além de matar nove pessoas, o grupo incendiou 50 casas de construção artesanal e roubou animais.

O porta-voz da polícia não confirmou estas informações, remetendo comentários para "uma ocasião oportuna".

O ataque aconteceu à noite, pelas 23:00 no povoado de Chikaua, no distrito de Nangade, junto à fronteira com a Tanzânia.

O grupo terá usado catanas para matar oito pessoas e uma outra foi encontrada carbonizada.

De acordo com as mesmas fontes, parte da população fugiu do povoado durante o ataque e não há indícios que permitam identificar os atacantes.

O porta-voz da polícia também não quis falar sobre a saída das populações, reiterando que as autoridades vão convocar uma conferência de imprensa para falar do assunto.

"O que nós asseguramos é que a polícia e os militares estão desde a primeira hora no local para evitar que estas situações ganhem maiores proporções", declarou.

No início do mês, seis homens adultos foram encontrados mortos no meio do mato, no distrito adjacente de Palma, depois de terem saído para caçar, sendo os corpos encontrados com sinais de ataque com catanas.

Desde há um ano, segundo números oficiais, já terão morrido cerca de 100 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança.

A violência em Cabo Delgado ganhou visibilidade após um ataque armado a postos de polícia de Mocímboa da Praia, em Outubro de 2017, em que dois agentes foram abatidos por um grupo com origem numa mesquita local que pregava a insurgência contra o Estado e cujos hábitos motivavam atritos com os residentes, pelo menos, desde há dois anos.

Depois de Mocímboa da Praia, os ataques têm ocorrido sempre longe do asfalto e fora da zona de implantação da fábrica e outras infraestruturas das empresas petrolíferas que vão explorar gás natural, na península de Afungi, distrito de Palma.