Segundo a consultora, as empresas petrolíferas têm os seus próprios sistemas de segurança reforçados, “e a ameaça dos insurgentes coloca um risco maior para as ONGse para os trabalhadores humanitários do que para a indústria do gás”.

“À medida que mais fundos de ajuda e trabalhadores de ONGs são canalizados para o norte de Moçambique, a perspectiva de mais ataques a estes alvos vai aumentar”, alerta a consultora.

Grande parte da população desfavorecida e afectada pelas acções dos insurgentes, vive de apoios disponibilizados por ONGs.

Entretanto, analistas consideram fundamental a presença de organizações humanitárias na região, e reiteram a ideia de que a violência em Cabo Delgado, rica em recursos naturais, resulta, em parte, da situação de pobreza em que vivem muitos dos cidadãos locais.

Mais recursos para combater a pobreza

“Tinha que haver mais escolas, hospitais e outros benefícios para a população verificar que afinal vale a pena estar numa província rica. As pessoas querem sinais concretos, esta é a questão central”, considerou o jurista Tomás Vieira Mário.

Outros analistas sublinham ser necessário que o Estado moçambicano ponha nas zonas mais afectadas, serviços públicos de qualidade, nomeadamente, educação, saúde, água, energia e habitação, “porque com essas condições melhoradas, as pessoas ficam menos disponíveis para situações de conflito”.

O Estado não teve o cuidado de explicar que da descoberta do gás à sua exploração, são necessárias várias etapas. As pessoas pensam que as coisas já estão a acontecer, mas não vêm nenhum benefício disso

Gil Laurenciano

Para Gil Lauriciano, o Estado não teve em conta o impacto social que iriam ter no seio das comunidades, as suas elevadas expectativas relativamente ao projecto de exploração de gás natural na bacia do Rovuma.

“Além disso”, realçou Gil Lauriciano, o Estado não teve o cuidado de explicar que da descoberta do gás à sua exploração, são necessárias várias etapas. As pessoas pensam que as coisas já estão a acontecer, mas não vêm nenhum benefício disso.

A consultora EXX Africa, afirma, no entanto, que apesar da sua origem como movimento de base local, “há cada vez mais provas de que o grupo militante Ahlu Sunnah Wa-Jama está a recrutar nos países vizinhos, especialmente na Tanzania e na Somália.

Nunca houve uma reivindicação da autoria dos ataques, com excepção para comunicados do grupo jihadista Estado Islâmico, que desde Junho de 2019 tem vindo a chamar a si alguns deles, com alegadas fotos das acções, mas cuja presença no terreno especialistas e autoridades consideram pouco credível.

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