O bispo anglicano Dinis Sengulane, uma das figuras mais influentes de Moçambique, resignou no domingo, 40 anos após a sua ordenação, com um veemente apelo ao entendimento entre governo e Renamo para a paz no seu país.

"Pedimos às equipas do Governo e da Renamo para que se entendam e saiam com resultados positivos. Queremos ouvir que se entenderam para a manutenção da paz, para sempre", disse Dinis Sengulane, aludindo às negociações visando a restauração da estabilidade no país.

Sengulane, 68 anos, presidiu à sua última celebração enquanto bispo titular no Pavilhão do Maxaquene, na presença de milhares de pessoas, incluindo o actual chefe de Estado, Armando Guebuza, e o seu antecessor Joaquim Chissano.

Um dos mediadores do processo que levou à assinatura, em 1992, do Acordo Geral de Paz (AGP) entre o governo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), agora o principal partido da oposição, pontuou a sua última homilia com referências à necessidade de preservar a paz, numa altura em que o país conhece alguma distensão, após a pior crise política e militar, na sequência de divergências em torno da legislação eleitoral.

Na qualidade de presidente do Conselho Cristão de Moçambique (CCM), o bispo concebeu e dirigiu com notoriedade a iniciativa Troca de Armas por Enxadas (TAE), incentivando as pessoas na posse de armas ou que conhecessem esconderijos de material bélico usado durante a guerra civil moçambicana, para as entregarem em troca de instrumentos de produção agrícola.

As armas entregues no âmbito do TAE eram depois destruídas e os respectivos destroços transformados em objectos de arte, alguns dos quais foram tema de exposições internacionais.

Recentemente, Dinis Sengulane não escondeu a sua irritação com o chefe de Estado moçambicano por este não ter impedido a incursão militar que desalojou o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, do seu acampamento em Sofala, centro de Moçambique, levando o movimento a empreender ataques ao exército e a alguns alvos civis.

Muito respeitado no país, o Governo e a Renamo concordaram na sua indicação para mediador do actual processo negocial entre os dois lados, visando ultrapassar a crise política e militar.

Além do seu envolvimento em questões de paz, Dinis Sengula é igualmente activo em causas sociais, sendo um dos rostos da iniciativa Fazendo Recuar a Malária em África, gizada com o objectivo de combater uma das doenças que mais matam no continente.

Lusa

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