Joaquim Alberto Chissano, nasceu a 22 de Outubro de 1939, em Malehice, Distrito de Chibuto, na província de Gaza, e foi presidente de Moçambique entre os anos de 1986 e 2005.

Em 1951, foi o primeiro negro a matricular-se no Liceu Salazar (actual Escola Secundária Josina Machel), onde fez os seus estudos secundários. Durante os seus estudos secundários participou na criação e foi líder do Núcleo dos Estudantes Secundários Africanos de Moçambique (NESAM).

Depois de concluir o ensino secundário em 1960 partiu para Portugal afim de cursar medicina. Entretanto, em 1961 viu-se na contingência de fugir deste país para França, integrando o grupo de estudantes provenientes das então colónias portuguesas de África, devido a perseguição de que estavam sujeitos pela Policia Secreta Portuguesa (PIDE) devido às suas convicções no que diz respeito ao direito à auto-determinação dos seus povos.

Em Paris onde estava a continuar os estudos na Universidade de Poitiers, Joaquim Chissano estabelece contactos com Eduardo Chivambo Mondlane por ocasião do encontro com os estudantes moçambicanos que haviam fundado a União Nacional dos Estudantes Moçambicanos (UNEMO). Com objectivo de continuar com os estudos matriculou-se na Universidade de Poitiers, em França.

Em 1962 participou, em Dar-Es-Salam, na Tanzânia do movimento do qual resultou na fundação da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e um ano mais tarde abandona os estudos em Paris para fixar-se na Tanzânia afim de servir mais directamente a causa da libertação nacional.

Posteriormente é designado Secretário Particular do Presidente Eduardo Mondlane e Assistente deste nas funções de Chefe do Departamento de Educação e por inerência de funções torna-se membro do Comité Central da FRELIMO. Em 1964 acumula as suas funções com as de substituto do Chefe de Departamento de Segurança e Defesa. No mesmo ano recebe uma formação militar em Moscovo. Em 1968 participa no II Congresso da FRELIMO, realizado em Matchedje, uma zona libertada da província do Niassa, no Norte de Moçambique, onde foi eleito membro do Comité Central.

Anos mais tarde Joaquim Chissano participa nas negociações dos Acordos de Lusaka, assinados a 7 de Setembro de 1974, entre a FRELIMO e o Governo Português, sobre a Independência de Moçambique. A 20 de Setembro de 1974, com apenas 35 anos de idade, Joaquim Chissano toma posse como Primeiro-Ministro do Governo de Transição que conduziria Moçambique à proclamação da sua Independência Nacional, a 25 de Junho de 1975.

Posteriormente Chissano ocupou o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros, no Governo presidido por Samora Machel, tendo participado de uma forma não directa nas negociações que culminaram, em 1984, com a assinatura dos Acordos de N´Komati, com o Governo da África do Sul.

Com a morte do Presidente Samora Machel, a 19 de Outubro de 1986, Joaquim Chissano é indicado pelo Partido Frelimo para assumir a Presidência da República Popular de Moçambique, tendo iniciado com as reformas sócio-económicas, que culimaram com a elaboração e aprovação de uma nova Constituição da República em 1990, que abriu Moçambique ao multipartidarismo e á economia de mercado.

Esta abertura permitiu o início das negociações com a Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO) e que pôs fim aos 16 anos de uma guerra de desestabilização, algo que aconteceu com a assinatura do Acordo Geral de Paz, a 16 de Outubro de 1992, granjeando muita simpatia no seio dos moçambicanos que passou a trata-lo como sendo o “Obreiro da Paz”.

Em 1994, é feita a primeira eleição democrática para Presidente, observada pela ONU, depois do fim da guerra civil. Joaquim Chissano foi então democraticamente eleito presidente da República Moçambique, cargo que manteria até 2005, depois de ter vencido as segundas eleições multipartidárias em 1999.

Apesar de o número 5 do artigo118 da Constituição moçambicana permitir que possa concorrer nas eleições presidenciais de 2004, Joaquim Chissano voluntariamente decidiu não o fazer, o que motivou que fosse um dos primeiros políticos africanos a receber, a 22 de Outubro de 2007, o Prémio Mo Ibrahim, destinado a estadistas africanos.

Joaquim Alberto Chissano é casado com Marcelina Chissano, é pai de quatro filhos, um dos quais perdeu a vida.