O corte de energia e comunicações aconteceu pelas 21:30  de quinta-feira afectando as ligações de voz fixa, móvel e dados, "como consequência do ciclone tropical Idai, com maior incidência nas províncias de Sofala e Manica", explicou a operadora pública Tmcel, em comunicado.

Segundo a empresa, "há técnicos nos pontos críticos a encontrar soluções provisórias, de modo a se conseguirem restabelecer as comunicações o mais brevemente possível".

Nalguns casos, já foi possível restabelecer comunicações através das linhas fixas.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, qualificou hoje como "muito preocupantes" os danos provocados pelo ciclone Idai na região centro do país, mas não avançou dados sobre mortes nem feridos, devido a "dificuldades nas buscas".

Residentes no Bairro da Munhava, na cidade da Beira, relataram ontem à Lusa haver vítimas mortais naquela zona devido à destruição causada pela passagem do ciclone Idai.

"A minha casa caiu, a minha filha sofreu e estou no hospital. A filha duma vizinha morreu [quando] a casa caiu", relatou Miquelina Mugaua, moradora na Munhava, onde proliferam as habitações precárias.

Mateus Silvério, outro residente, disse à Lusa que havia, pelo menos, mais uma vítima: "próximo da maternidade da Munhava, um outro homem está lá, morto", descreveu.

O canal de televisão privado STV relatou ainda haver uma morte com o desabamento de uma casa no distrito de Nhamatanda, a cerca de 100 quilómetros da capital provincial, num balanço que está por fazer.

Por toda a zona urbana há estruturas destruídas, estradas intransitáveis e zonas inundadas.

Equipas de socorro do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) e agências das Nações Unidas estão no terreno a tentar avaliar a situação.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) anunciou que o ciclone está a enfraquecer desde que entrou em terra, proveniente do oceano Índico, ao princípio da noite de quinta-feira.

Para hoje prevê-se que continue a avançar em direcção a oeste com ventos de 140 a 160 quilómetros por hora, chuva e trovoadas intensas, que afectam sobretudo as províncias no seu percurso - Sofala, Manica -, mas também Zambézia, Inhambane e Tete.

O ciclone só deverá dissipar-se sobre o Zimbábue, no sábado, de acordo com as previsões.

Esta é a segunda tempestade forte a assolar o centro e norte de Moçambique em pouco mais de uma semana.

Desde dia 06 de Março, pelo menos 15 pessoas morreram e mais de 103.000 foram afectadas pelas chuvas fortes e inundações no centro e norte do país, anunciou o Escritório das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários (OCHA).

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